Fala muito!

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A crítica sempre esteve ligada, de certo modo, ao anonimato. O medo de rejeição, e principalmente o temor de represálias leva os insatisfeitos desde muito tempo atrás a se exporem ocultando sua identidade. Se a crítica é aceita pela coletividade, passa a fazer parte desse fenômeno de massa – se não, não causa mal algum ao autor. Mas e se for descoberto? 

Esse fenômeno é potencializado hoje, já que a vida em rede já faz parte da vida política contemporânea. Redes sociais, fóruns de discussão e redes de telecomunicações têm um impacto formidável na opinião pública. A eficiência disso, é claro, depende de quem está envolvido, e de muitos outros fatores. Basta lembrar da “revolução” de julho no Brasil, que saiu do Facebook para durar umas… duas semanas, e desaparecer quase que por completo, mostrando apenas resquícios desse ativismo em protestos pontuais (apesar de recorrentes). 

Isso tudo vem da atividade em grupo, mas resta algum papel para o indivíduo? A noção de uma “massa” vem justamente do fato de que se faz parte de uma coletividade, com interesses que estão acima dos pessoais, e a noção do anonimato é fundamental em alguns casos. É interessante notar como o anonimato volta a ter importância nesse contexto, já que é um ambiente propício a essa condição. 

 Em um caso recente, um funcionário da Casa Branca foi demitido por manter uma conta anônima em que espinafrava membros do governo. Descoberto, foi demitido e lhe resta a infâmia. Enquanto isso, no Brasil, contas “fakes” (falsas, com pessoas imitando personalidades) fazem sucesso, e uma delas imita a presidente Dilma por meio de uma sátira bem-humorada, sendo que o humorista criador da conta até já esteve em conversa pessoalmente com a “vítima”. Descoberto, não foi arrasado, e sim premiado pelo uso “inteligente” das redes sociais. 

Vê-se que depende muito de contexto, é claro, e do uso que é dado a cada ferramenta, mas nem mesmo o anonimato serve de blindagem, já que pode ser revertido a qualquer momento nessa nuvem de informação.


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