Facelobby

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Mark Zuckerberg, o bilionário fundador do Facebook, está disposto a aventurar-se na política. Há no seleto clube dos bilionários uma tendência a buscar formas de interagir com os problemas da sociedade, seja por meio de organizações não governamentais, fundações ou mesmo doações para causas sociais. Bons exemplos disto são as fundações criadas por empresas privadas, assim como a que mantêm Bill Gates e sua esposa. O criador do Facebook, contudo, parece ter horizontes distintos em mente.  

Vale lembrar que o lobby é uma atividade legalizada e regulamentada nos Estados Unidos. Logo, não haveria nada de obscuro na intenção de Zuckerberg. Sua ideia é criar uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de influenciar uma série de questões legislativas. A gama de temas iria desde reforma migratória até educação. Para isto, já teriam sido recrutados figurões do partido republicano e do partido democrata. Por outro lado, o financiamento seria realizado por executivos do setor tecnológico.  

O Facebook já investe no lobbypolítico. Em 2012, gastou quase US$ 4 milhões. Outros gigantes da tecnologia, como o Google, também fazem investimentos significativos (US$ 9,38 milhões em 2012) para influenciar temas de seu interesse que estejam em discussão. A nova organização impulsada quer levantar US$ 50 milhões e já teria uma boa parte do montante assegurado. Faz sentido a união, uma vez que as empresas do setor seguramente têm interesses convergentes e juntas terão uma voz importante em questões legislativas nos Estados Unidos.  

Na agenda, logo de início, entrará a questão dos vistos para estrangeiros de alta qualificação. Afinal, não faz realmente sentido formar pessoas em universidades prestigiadas (muitas vezes até com bolsa de estudos) e depois mandá-las de volta para seus respectivos países de origem. Melhor permitir que empreendam ou colaborem com empresas em território norte-americano. Este é um tema que já esteve em pauta antes. O presidente Obama havia manifestado sua preocupação pouco tempo atrás, defendendo a permanência de estrangeiros bem qualificados no país.  

Sem a inocência de achar que o grupo de pressão (na linguagem comum o tal lobby) a formar-se terá intenções meramente filantrópicas, há pelo menos a certeza de poder acompanhar as atividades desenvolvidas. A lei que regulamenta o lobby nos Estados Unidos, originalmente de 1945, exige a divulgação de relatórios periódicos. De qualquer forma, melhor confiar desconfiando, especialmente caso entrem em temas como: cibersegurança, privacidade e publicidade. Aí coincidem o modelo de negócio (de onde sai o $$) de muitas destas empresas e a experiência oferecida para seus usuários.  

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Categorias: Estados Unidos


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