Eu vou devolver

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Em muitas ocasiões, uma pessoa tem que fazer uma escolha: entre fazer o certo (seja por valores pessoais, medo de uma possível sanção, entre outros) ou tentar obter uma vantagem ilegal com seus riscos inerentes. O que obriga o cidadão a agir de acordo os imperativos legais e morais? Estou entre as pessoas que acredita que o receio do castigo apropriado é um dos principais mecanismos para garantir o funcionamento de uma sociedade, evitando assim que a desordem impere.

O que fazer quando os próprios representantes do povo, me refiro mais especificamente aos Poderes Executivo e Legislativo, se comportam à margem de condutas morais e legais? Não bastasse legislarem sobre seus vencimentos e benefícios, ainda gozam, na maioria das vezes, da conivência de seus colegas no que concerne a condutas irregulares. Afinal, a maioria deles adotam procedimentos similares. No caso de uso indevido de cartões corporativos e da verba indenizatória isso fica evidente. Quantos casos surgiram? Havia limite? Em face de indícios irrefutáveis, seja pessoalmente ou por meio de sua assessoria, o acusado em questão prontamente garantia o reembolso do gasto indevido. Era tudo, fim de história.

Todos conhecemos os méritos de Lula. Por outro lado, sob sua tutela algumas questões tiveram abordagem personalista. Os erros não só eram perdoados como também atribuídos em certas ocasiões a perseguições dos veículos de comunicação. O mais recente evento se refere aos passaportes diplomáticos emitidos para os filhos e o neto do ex-presidente Lula. Eles têm direito ou representam um interesse legítimo do país? Para a OAB não. Diante da ampla divulgação da situação, um dos filhos de Lula já prometeu devolver seu passaporte diplomático. Isso, provavelmente, bastará.

Existe algum tipo de sanção para esse tipo de comportamento? À primeira vista, como leigo em questões legais, parece que sim. Imaginem que os acusados terminem devolvendo o obtido/utilizado de maneira ilegal. Basta, não? Esse é o exemplo dos nossos representantes. Agora imaginem se essas prerrogativas pudessem ser aplicadas plenamente à vida em sociedade. Uma pessoa resolve roubar um pequeno item em uma loja. O máximo que pode acontecer é que, caso o roubo seja descoberto, o acusado tenha que devolver o item em questão. Nada mais. Na prática, na minha concepção, é isso que acontece com nossos representantes ou políticos. Obviamente que tais práticas, quando tomadas por um cidadão “normal”, são objeto de algum de tipo de sanção. Não importa, para a classe política devolver, ante a comoção pública, é a lei na prática. Muito diferente do aplicado aos cidadãos “normais”.


Categorias: Brasil


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Anonymous
Anonymous

Conteúdo convincente. Não consigo deixar de pensar naquela neblina entorno do " Poder Judiciário ". Existe mais política lá do que nos demais poderes. Já jogou farol alto em nevoeiro? E holofotes? Fica pior a visão não é? Concurso público não elide gente mal intencionada e de discernimento comprometido. Não existe santo neste país!