Estudar ou não estudar?

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De bolha em bolha, a economia segue seu rumo. Passamos, por exemplo, pela bolha da internet e mais recentemente a do mercado imobiliário norte-americano. Estudar talvez seja uma premissa inquestionável, toda família preza pela educação de seus filhos como forma de garantir um futuro seguro. Contudo, será que alguns pagam em excesso por um título universitário? Ou pior, será que o investimento em uma universidade vale a pena?

O Brasil vive um cenário positivo, com uma economia em crescimento e a melhoria dos indicadores sociais. Nosso modelo para a educação superior, parte público e parte privado, também apresenta tendência similar. O número de cursos, universidades e fontes definanciamento aumentaram nos últimos anos, possibilitando que o sonho de muitas famílias fosse realizado. Em outros países, como os Estados Unidos e o Reino Unido, o ensino superior tem custo para o estudante. A diferença básica é quem paga a conta, algumas vezes é o governo e outras o próprio estudante.

Pensando o modelo norte-americano, Peter Thiel, um dos fundadores da PayPal, enxerga a educação superior como a próxima possível bolha a estourar nos Estados Unidos. Como em outros casos, trata-se de um investimento pensando para garantir maior segurança no futuro. Na medida em que nem todos conseguirão entrar em escolas de elite (as da chamada Ivy League), Thiel defende que um modelo baseado no empreendedorismo deveria predominar sobre o atual focado no ensino superior. Afinal, mesmo os formados em escola de elite, poderão se deparar com índices de desemprego preocupantes e podem terminar forçados a aceitar posições abaixo de suas reais capacidades. Empreendedores em potencial podem ser perdidos no processo.

Por outro lado, quais são as funções do mercado de trabalho que realmente requerem uma formação universitária? Na prática, muitos diplomas universitários não garantirão uma excelente oferta de trabalho logo após a formatura. Para os que pagam pelos estudos, a situação será ainda mais dramática, ficará uma frustração por não encontrar um posição a seu agrado somada à dívida adquirida na universidade. A necessidade de planejamento é evidente, como quando se compra um bem, as oportunidades existem, mas estarão limitadas. O diploma sozinho não garante um futuro seguro. Ainda que o ensino superior resulte em incremento de renda, não é em si um bilhete de ouro como muitos pensam.

E agora? Este foi o modelo que aprendemos a amar. Famílias investiram por anos na educação de seus filhos para nada? Em realidade, haverá a necessidade de adaptação das expectativas anteriores, não se trata de eliminar por completo o construído até agora. Mais que isso, deve-se ampliar a gama de oportunidades e o entendimento em relação ao mercado de trabalho, para que assim todos possam tomar decisões embasadas na realidade (não mais no sonho de um diploma). Cabe prioritariamente àqueles que investem na educação decidirem pautados em expectativas reais de seu retorno. No Brasil surfamos uma onda diferente, próxima talvez do pleno emprego, porém nos resta avaliar que futuro queremos para nossa educação superior, especialmente caso enfrentemos um cenário econômico menos favorável.


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