Esfriando a economia?

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O ano novo é uma época com extremos climáticos. No Brasil, por exemplo, estamos acostumados a um calor infernal e, principalmente no sudeste, chuvas que destroem propriedades e vidas (e que infelizmente não são novidade e viram notícia recorrente nessa época). Na Ásia é bem comum vermos tufões e tempestades tropicais. Mas a grande notícia vem dos EUA, com a massa de ar polar que trouxe as mais baixas temperaturas em décadas e praticamente paralisou boa parte do país nos últimos dias. 

O impacto é direto na vida das pessoas. Com temperaturas que em algumas localidades chegaram a 50 graus negativos, a pele humana sofre queimaduras e congela em poucos minutos, e o mero ato de sair ao ar livre vira um problema. Escolas sem aulas, muita gente não consegue chegar ao trabalho, comércio fechado. E claro que, além das perdas em vidas humanas, isso causa um impacto econômico. Uma seguradora afirma que quase 1/3 da economia norte-americana é “sensível” ao clima e um prolongamento dessa situação deve afetar de algum modo o crescimento da economia. São vendas que não acontecem (especialmente na época de liquidações pós-Natal), milhares de voos cancelados, além do impacto na agricultura. 

Há quem diga que o impacto é reduzido, as previsões são otimistas (ou indiferentes) quanto ao impacto do frio e houve até mesmo um aquecimento (com o perdão da ironia) de alguns setores, como o de calefação e utilidades domésticas (para remoção de neve do quintal, entre outras coisas). Mas não precisamos ir longe para ver o impacto econômico não apenas doméstico dessa friagem. Primeiro, a produção de petróleo está interrompida em alguns estados, e isso deve influenciar, por exemplo, o preço da gasolina – que aumentando nos EUA, adivinhe oque acontece no resto do mundo. Segundo, a decisão pela escolha da lavoura de 2014, por soja ou milho, decisão que vai depender em certa parte da temperatura e que vai afetar a produção de outros países – inclusive o Brasil. É claro que essa onda de frio não vai derrubar a economia americana (que já está em recuperação), mas serve de alerta, e não apenas para os EUA. No mundo globalizado, em que uma lavoura arruinada pelo clima pode trazer prejuízos para muitos países em um efeito dominó, qualquer geada por aqueles lados é motivo de atenção.


Categorias: Economia, Estados Unidos, Meio Ambiente


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