Escrevendo certo por linhas tortas

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No início deste ano o Brasil fechou um acordo com a Bolívia para que fossem comprados 24 milhões de metros cúbicos por dia (mcd) de gás natural dos bolivianos.

Foi uma chuva de críticas contra o nosso governo, uma vez que a demanda aqui não estava passando de 19 mcd. O dinheiro podia estar sendo gasto na sáude, na educação, enfim, mas preferimos não contrariar o vizinho.

Pois é. Mas o Brasil é mais malandro. Embora tenha se comprometido formalmente com os bolivianos a comprar 24 mcd, compramos hoje somente 20. Ou seja, está-se dando uma de esperto pra cima deles.

Há quem diga que Deus escreve certo por linhas tortas, e o Brasil está tentando fazer o mesmo. Escrevendo certo ao comprar o que realmente precisa, ainda mais em tempos de crise, mas nas linhas tortas ao contrariar acordos firmados.

Isso, obviamente, só tem conseqüências ruins. Em primeiro lugar, reforça entre os vizinhos a idéia de que o Brasil só quer se dar bem às custas deles. Isso vai ter as devidas implicações quando precisarmos de apoio para qualquer coisa no âmbito internacional. Eles simplesmente não vão apoiar, como sempre fazem.

Em segundo lugar, como a gente quer que eles (não só a Bolívia) cumpram contratos se o Brasil não cumpre às escondidas?

Por fim, tem uma implicação interna. Pra onde está indo esse dinheiro que o Brasil disse que ia gastar com o gás? Eu não sei quanto a vocês, mas imagino que não está na educação nem na saúde.

O Brasil tem de parar de ter medo de contrariar os outros pra conseguir apoios que não existem e colocar suas posições de forma firme e pública. Assim se tem respeito.

É isso aí, pessoal, Deus escreve certo por linhas tortas porque ele é Deus, nós mortais devemos escrever mesmo certo e bem em cima das pautas.

Veja a notícia toda aqui.


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