Era uma promessa, mas…

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Estava dando uma olhada em alguns sites de notícias internacionais e me deparei com uma interessante matéria na seção de opiniões do jornal “The New York Times”. Intitulado “Death of a Prisoner”, a acadêmica Laura Poitras nos mostra um vídeo e uma reportagem sobre a recente morte de Adnan Farhan Abdul Latif. Não o conhecia, mas foi aí que surgiu a descoberta do mesmo estar preso na Prisão de Guantánamo desde 2002 acusado de ter ligações com o Taleban. 

Nas palavras de Latif, seu desejo era morrer ao invés de permanecer nas condições em que se encontrava. Precárias qualidades de vida, falta de comida e dias e dias na solitária são alguns dos exemplos citados e mostrados no vídeo. Foi morto ainda em Setembro de 2012 e seu corpo foi enviado com o número #156 ao Iêmen, no Golfo Pérsico, meses mais tarde. 

Depois veio uma surpresa na mesma reportagem: atualmente há 166 presos em Guantánamo, sendo que 157 não foram acusados por crime algum. E as incoerências continuam a todo vapor. Não preciso me ater a falar ou repetir sobre algo já há muito conhecido. Guantánamo é uma vergonha do século XXI. 

Quando assumiu a presidência dos Estados Unidos em 2009, uma das primeiras atitudes “publicitárias” de Obama foi encorajar o fechamento da prisão. Agora, em 2013, mais precisamente no próximo dia 20 deste mês, será completado o 11º aniversário de transferências de prisioneiros para a baía. Não por coincidência, também será a data oficial de reeleição do democrata. 

Era uma promessa, mas… Guantánamo continua a ser a pedra no sapato de Obama. Previsões para a prisão ser fechada? Não existem! A própria Anistia Internacional (AI) tem apelado diretamente à presidência norte-americana para por fim ao que sempre será o calcanhar de Aquiles dos direitos humanos. Para um país dito democrático, liberal e respeitador dos princípios morais internacionais, a Prisão de Guantánamo prova o contrário. 

A meu ver, Obama é o exemplo claro de que mudar um país e, por conseguinte, a política internacional, é mais difícil do que parece. Esperava-se muito dele. Entretanto, quanto maior a expectativa, maior a frustração. Quem não cuida da própria casa, perde voz com seus vizinhos. Sinais dos novos tempos…


Categorias: Assistência Humanitária, Direitos Humanos, Estados Unidos