Entre paradoxos e desafios globais

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O cenário internacional anda mesmo agitado ultimamente… agitado e repleto de paradoxos generalizados – e talvez inerentes à perspectiva de construção diária da história. Entre os destaques, temos que líderes importantes saem de cena, enquanto ameaças inquietantes são declaradas; e no mesmo momento em que se celebra o nascimento dos bebês que elevaram a população mundial a outro patamar, a morte de um líder polêmico gera euforia e também incertezas para toda uma região.

Trata-se da morte de Guillermo León Sáenz Vargas essa semana, mais conhecido como “Alfonso Cano”, que ocupava o mais alto cargo na direção das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Duro golpe para o grupo dos milhares de “guerrilheiros marxistas” e, em contrapartida, vitória para o presidente da Colômbia no âmbito político. Com o triunfo da “Operação Odisseia”, tal como foi chamada esta operação contra a organização, as FARC voltam ao centro da mídia e perdem uma importante liderança.

A opinião pública se agita, os demais países declaram seu apoio ao governo colombiano contra o grupo, mas este faz questão de demonstrar (de forma violenta, é claro) que as FARC continuam “ativas”, mantendo suas posições e seus modos de ação pouco apreciados… a retaliação dita o tom da resposta.

A queda de Alfonso Cano significa uma melhora no nível de segurança da população? Talvez sim. Mas mais provavelmente não. Produto de uma operação estratégica do governo unida ao acaso e (por que não?) à sorte, a operação foi um sucesso em si mesma, mas não representa (ainda, pelo menos) o verdadeiro fim da milícia, que continua a afligir a população com a revolta pela morte de seu último líder. [O que não exclui o fato de esta perda ter sido um grande baque para as FARC, atingidas em sua instância mais alta… demonstração de fragilidade?]

Urge, pois repensar o caminho da paz, avaliando a situação de inserção crescente da Colômbia nas discussões internacionais e salientando as características (paradoxais ou não) de um contexto global repleto de dúvidas, mas também de esperança de mudança. Os colombianos que o digam.


Categorias: Américas, Polêmica, Política e Política Externa


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