Entre dekasseguis, auxílios e críticas… dá pra comer de pauzinhos?

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Aí vai meu primeiro post como correspondente internacional (mal, pessoal… estava sem internet em casa).

Há pouco mais de um mês no Japão, pude perceber a realidade dos dekasseguis de forma mais clara do que quando via as notícias pela TV, no Brasil. O post pode parecer meio ácido, mas já digo de antemão que não é porque estou trabalhando para o governo japonês que tomei partido do mesmo. Sou brasileira e torço pelo Brasil, mas tem coisas que simplesmente… não dá para concordar.

Antes de mais nada, uma informação básica (até demais). O desemprego não afeta apenas os dekasseguis brasileiros, mas outros estrangeiros e japoneses em geral. (oooh! ¬¬”)
Segundo, se os próprios japoneses estão desempregados, o que dizer dos brasileiros, que mal entendem a língua?

Convenhamos, a maior parte dos brasileiros veio para cá para trabalhar o máximo de horas extras possíveis nos chãos de fábrica, para juntar tanto dinheiro quanto possível no menor espaço de tempo. Algum interesse em aprender a língua? Nenhum. Nem interesse nem força para estudar, depois de jornadas de mais de 10 horas diárias. Se estão sendo demitidos agora e procuram por um outro tipo de emprego, não o conseguem porque a maioria mal consegue se comunicar decentemente. Alguns estão tentando recuperar o tempo perdido, estudando a língua, mas não se pode dizer que o japonês seja algo tão fácil e rápido de se assimilar, razão pela qual há muitas desistências ao longo dos cursos básicos de japonês que surgiram nestes últimos tempos (detalhe: a maioria é voluntária ou a custos baixos, justamente para auxiliar os brasileiros e outros latinos). Outros perceberam que era hora de voltar e assim fizeram. Outros ainda estão tentando alguma coisa, enquanto se inscrevem para o programa de “auxílio-subsitência” do governo…. brasileiro? Não, japonês.

100 anos depois da vinda dos japoneses ao Brasil, seus descendentes e cônjuges voltam à terra do sol nascente para fazer fortuna e retornar ao país. O que mudou de lá pra cá? Quase nada. As pessoas emigram ao outro lado do mundo para prosperar e voltar para casa. A diferença é simples: os japoneses acabaram ficando pelo Brasil e se integraram bem à sociedade, pagando os seus impostos, falando português e tudo o mais, ao passo que no caso brasileiro, além do desinteresse em se integrar à sociedade, língua e costumes locais, estão onerando os cofres públicos japoneses pois precisam de auxílio do governo para sobreviver no Japão ou ir embora de vez. Ah, e muitos ainda estavam reclamando, como o ministro Carlos Lupi. Faz sentido?

Além dos auxílios financeiros e empréstimos fornecidos, há vários outros órgãos criados pelo Japão para busca de emprego, estudos e profissionalização, bem como para moradias mais econômicas e afins. Diariamente eu traduzo vários panfletos e informativos para facilitar a vida do brasileiro no Japão, desde eventos e informes em geral (ultimamente muita coisa sobre a gripe suína) às organizações de auxílio ao desempregado, oportunidades de bolsas, moradia, etc. Essas são apenas algumas das ações do governo para tentar integrar e informar os imigrantes que não querem/conseguem fazê-lo.

Não estou tomando o partido do governo japonês, mas sejamos realistas: a questão dos imigrantes – legais ou ilegais – tem se tornado um constante problema em vários países do chamado 1o. mundo. O Brasil sempre foi tido como a terra das oportunidades, aberto aos imigrantes de todas as partes do mundo e com todas as possibilidades de se desenvolver. Mas e se o Brasil estivesse entre os países desenvolvidos e enfrentasse os mesmos problemas do enorme fluxo de imigrantes provenientes de países mais pobres, que medidas estaria adotando? Se uma onda de desemprego como a atual afetasse os seus nacionais e os imigrantes, será que o chamado “calor brasileiro” prevaleceria sobre as questões políticas e étnicas e ele estaria dando o apoio necessário aos imigrantes – que, aliás, até agora não quiseram ser assimilados? Será que o governo brasileiro iria tão longe? Chegaria a contratar imigrantes nos tempos de crise para auxiliar na integração à sociedade brasileira e o melhor fluxo de informações aos mesmos? Gostaria de ser otimista neste aspecto, mas infelizmente duvido muito que algo do tipo fosse feito.

Se o movimento dekassegui surgiu em meados da década de 80 e continua até hoje foi porque o Brasil não ofereceu nem consegue oferecer ainda oportunidades de trabalho suficientes aos seus cidadãos. Imagine se toda a colônia brasileira no Japão voltasse ao Brasil, de uma só vez? Não será isso que o nosso caro ministro teme?

Bom, assim como um apostador deve saber a hora de parar, os que depositaram as fichas no Japão devem ter em mente que vieram temporariamente para cá e devem, em algum momento, voltar ao Brasil (a não ser que já vieram com planos de se fixar permanentemente no Japão, que são casos raros). Devem saber a hora de parar para sair por cima. E com as próprias pernas.

Mas será que realmente estão economizando, fazendo uma poupança? O estardalhaço provocado por conta da medida adotada pelo governo japonês (aquela que proibia o retorno dos brasileiros ao Japão por tempo indeterminado, uma vez requerido o auxílio do governo de 300.000 ienes para retornar ao Brasil) é totalmente infundada. Se estavam aqui para trabalhar, economizar e voltar, porque não voltar quando não conseguem mais arranjar emprego? Por que insistir no que não está mais dando certo? Se estavam economizando, por que não tem dinheiro nem para voltar? Por que reclamar do auxílio se nem mesmo é capaz de voltar para casa por si (a proibição de volta é só para quem pedir o tal auxílio)? E, mesmo assim, diante das inúmeras reclamações, o governo flexibilizou a proibição de volta para 3 anos. Quem sabe assim, quando voltarem ao Japão da próxima vez (se realmente voltarem), tragam consigo um curso de educação financeira na bagagem.

Do lado japonês, não posso negar que há um certo sentimento da presença brasileira como problemática. Evitemos generalizações, mas convenhamos, uma fruta podre estraga todas as outras na cesta e, nesses tempos de recessão, houve casos isolados de condutas deturpadas, por assim dizer, que acabaram por construir uma imagem negativa do brasileiro. Nem todos os brasileiros agiram/agem de má fé e perturbam a pacata vida japonesa, mas os que assim o fizeram/fazem, acabam por dificultar um pouco a vida para outros que vêm depois.

Outro dia fui chamada a traduzir um diálogo de cobrança de multa para um brasileiro que quebrou parte das barras de proteção de um trecho da rodovia. Já é a segunda vez que vão cobrar pelo não pagamento. O indivíduo alega não ter dinheiro para pagar o conserto pois está desempregado. Bom, a quantia é ínfima, ele ainda tem o carro com o qual causou o acidente e ainda está vivendo no Japão. O que dizer sobre isso…?

É nessas horas que sinto um pouco de tristeza ao ver que estamos tão mal representados (sem generalizações) aqui e que isso acaba por aprofundar mais ainda a desconfiança por parte dos japoneses. É, o jeitinho brasileiro não funciona por aqui. Ele só piora as coisas. A nossa imagem, no caso.

Por fim, ao ministro Lupin eu diria que se ele criasse frentes de trabalho suficientes no Brasil, talvez nossos compatriotas não estariam “construindo e dando a nossa mão-de-obra” ao Japão, mas ao Brasil. Ademais, se ele acredita que nossos nacionais estão sendo explorados nos chão de fábrica ao invés de trabalharem em posições mais altas, ele deveria entrar em contato com o Ministério da Educação para melhorar a nossa qualidade de ensino… Mas aí já são outros quinhentos, e como o post já está imenso, é melhor parar por aqui.


Categorias: Ásia e Oceania, Brasil, Economia


12 comments
Yan
Yan

Como é facíl julgar.Será que realmente os empresários estavam se importando com a qualificação dos operários quando os contrataram? Quando um setor de uma fábrica tem que entregar milhares de péças ou sêja cumprir metas,eles pouco se importam com cor,origem,formação intelectual.Eles querem é produção.Querem gente forte,que faz tudo sem reclamar que produz o quanto e o que querem.Infelizmente existem pesoas que apenas enxergam um lado da moeda.No Japão é muito comum ver pessoas com uma exelente formação educacional,que domina até 4 idiomas,mas que não fazem absolutamente nada em favor da grande maioria do país de origem.Pessoas que trabalham para o governo Japonês,justamente por eles terem lá 250 ou 300.000 brasileiros que não domina o idioma ou que não se esforçam em aprender alguma profissão diferenciada.Mas esquecem de dizer ,que existem milhares de cargos e empresas aonde se o cidadão não for japonês ele não tem a menor chance de disputa-los existe a rejeição.O Japão não tem nada de bonzinho,engane-se quem quer.Se permitiram esta enorme demanda de imigrantes é porque não havia ninguem disposto a estes trabalhos nem os proprios japoneses.Deixa o povão do Brasil,Peru,entrar ou para as máquinas???Eu tenho um amigo nos USA,que tem green card,e claro domina o inglês e espanho e português,ele trabalha no aeroporto de Los Angêles,segurança e triagem interna.Aprenda Japonês,tenha o VISTO PERMANENTE como eu tenho e vá tentar trabalhar em aeroporto,banco, ou em cargos de confiança para ver se te admitem??Existem brasileiros,que trabalham em prefeituras,assistência social,hospitais,escolas do govêrno justamente por conta dos imigrantes que não dominam a língua.Pois ao contrário,não teriam a miníma utilidade ao governo.è muito facíl malhar criticar os compatriotas,mas é dificíl aceitar que tem o emprego no governo,por conta destes que parecem tão desqualificados.Respeito a opinião de todos.Mas se o governo japonês,até então antes a crise aceitou todos os "ignorantes" alguma razão tem.Pessoas que se instruem querem progredir e o que eles precisavam e sempre vão precisar é de pessoas que apertem parafusos e aguentem carregar peso.Não defendo nenhum comodismo,mas tambem não sou a favor de quem critica seus compatriotas que com muita luta e sofrimento abriram espaço para os maiscapacitados e cultos,poderem ter suas oportunidades.Na visão do japonês,o cidadão nato é quem nasce no Japão.Quem nasceu no Brasil,mesmo tendo traços faciais niponicos ou nome de japones,são visto por eles como nikeis,pessoas de segunda geração.Tenho amigos que nasceram no Brasil e acabaram por optar pela cidadania japonêsa tem passaporte japonês mas aos que os conhecem são tidos como "japonês que veio /nasceu no Brasil" o mais dolorido é ver alguem esquecer suas origens e querer assumir uma nova identidade junto a um povo que rejeita.Meu avô era japonês,meu pai era japonês.Sabe o que dizem? ok! o que você fazia fora do Japão então? A sim seu avô e você? No Japão,entre eles mesmo existem preconceitos absurdos.Não pense só porque aprendeu falar escrever e ser filho de japonês,lhe fará uma pessoa diferenciada pois não é mesmo.Pode ser no funcional,mas no social nas relações é alguem de fora,mesmo com o passaporte vermelho,nâo aceitam.E é mais facíl eles aceitarem um brasileiro nato,do que o próprio descendente de japonês.Queria saber o que esta sra. Ana,fez na crise em pról aos brasileiros.No terremoto de Kobe,não conheci nenhum funcionário do governo que fosse estrangeiro ajudando a remover entulhos e a resgatar japoneses nos destroços.O que se viu em vários lugares foram brasileiros"peões" operários,ajudando a população local e bombeiros.Existem vários brasileiros que adotaram crianças japonesas,em orfanatos.Isto ela não cita,porque será? Por ser uma novidade ou por julgar uma comunidade sem real conhecimento de causa.Óra bolas!!!é cada doida que aparece.

Mônica Araujo
Mônica Araujo

Olá Anna!Obrigada por responder o meu comentário e apresentar seus argumentos, essa sua resposta é muito boa e deveria ser um post mesmo. Esse negócio de identificação é complexo também...vide aulas do kolleritz...dá muito pano para manga, especialmente num país como o Brasil. Sei que o imigrante não é um coitado, nenhuma das partes é neutra.Assim como você, também me considero como alguém do mundo, porque é assim que as coisas vão.Bom Anna, mais uma vez boa sorte ai e uma sugestão de post: como é que aparece na mídia daí a China?

Anna Furukawa
Anna Furukawa

Mônica, concordo que as migrações inversas fazem parte de contextos históricos distintos, mas há uma semelhança primordial e básica: ambas as migrações buscavam algo que o seu país, à época, não conseguia lhes oferecer – trabalho, perspectiva de vida e planos para o futuro, no seu país de origem, quando voltassem. É claro que o fluxo migratório dos japoneses, há cem anos atrás, teve apoio de ambos os governos, ao passo que o fluxo brasileiro partiu mais de iniciativas individuais. Mas como eu já disse anteriormente, os objetivos permanecem os mesmos. Eu não estou criticando o fenômeno das migrações internacionais em si; acredito que isso é mais do que intrínseco à raça humana que, embora tenha deixado para trás a vida nômade há milhares de anos, ainda guardam um pouco desse estilo aventureiro em si. Defendo e muito o intercâmbio promovido por tais fluxos e acredito que eles nos ajudam a ter uma compreensão melhor sobre o outro.Quando critico a imigração no meu post, não é porque vejo os imigrantes como aproveitadores ou qualquer coisa do tipo. E também não critico os que tentam melhores condições de vida no exterior, pois eu sou um exemplo disso, seja por mim mesma, seja por meus pais e parentes. O que eu quis dizer é que o imigrante deve ter noção de que está indo a um outro país e que deve saber se portar. Afinal, não saímos abrindo a geladeira, colocando o pé na mesa e fazendo bagunça na casa do anfitrião… O bom senso nos diz que um simples ato individual pode levar a generalizações e manchar a imagem de uma nação, não é mesmo? Claro que não defendo uma lavagem cerebral para que o indivíduo esqueça sua cultura e se mescle ao país receptor como uma massa irracional. Não, não é isso. Defendo que ele mantenha suas raízes, desde que elas não prejudiquem o país que o está recebendo, por pura questão de educação e bom senso. A minha principal crítica é contra a própria crítica brasileira aos auxílios. Não nego que o governo japonês tem suas razões excusas para instituir tais auxílios e mandar os brasileiros de volta, mas se o próprio governo brasileiro não consegue auxiliá-los efetivamente – já que grande parte da ajuda veio do governo daqui ou de frentes voluntárias constituídas por próprios brasileiros – acho que não há margens de reclamações para o auxílio financeiro condicionado a certas restrições. Parece fácil ir pelo caminho da crítica ao governo brasileiro, mas quanto a isso, não há o que se fazer… A tal vontade política existe (ou não), mas como você disse, política e difícil e não há defesa suficiente para a burocracia e a morosidade intrínsecas à nossa máquina política. Quem sabe no futuro, neah!?Quanto à minha identificação cultural… Mônica, meus olhos puxados nunca vão me separar da imagem de oriental/“japa”/“china”/“coréia” ou qualquer coisa do tipo. Entretanto, mesmo tendo absorvido muito do que é inerente a cultura japonesa e DNA pelos meus pais, eu cresci, estudei e vivi a maior parte da minha vida como brasileira. Acredito que eu seja um meio-termo sem lugar no mundo (hahah): nem quadrada demais como os japoneses mais tradicionais, nem redonda demais como os brasileiros… Eu seria uma espécie de hexágono nesse mosaico de figuras geométricas. A comparação é meio esdrúxula, mas… E, ao contrário do que disse, eu não acredito ter uma visão inocente e simplista a respeito da imigração… em especial da japonesa. A minha vida está profundamente entrelaçada em histórias que envolvem o fluxo Brasil-Japão. Minha mãe é japonesa e veio na década de 50; meu pai é brasileiro e seus pais vieram na primeira metade do século; foram parar no norte e no sudeste do Brasil, respectivamente. Morei a maior parte da minha vida em Rondônia, fiz faculdade em Franca e agora estou no Japão. Quando pequena, vim com meus pais (eles como dekasseguis, e eu na idade da alfabetização) e voltamos na década de 90; além disso, tenho inúmeros exemplos na família de quem veio na década de 80 e voltou, de quem veio na década de 90 e voltou, de quem veio na década de 90 e ficou, de quem veio nessa década e voltou, de quem veio nessa década e ficou, de quem não achou mais emprego e voltou (com essa crise), de quem ainda tem emprego e ficou, de quem fez família aqui e voltou, de quem fez família aqui e ficou, de quem fez família e veio, de quem conseguiu bolsa de estudos e ficou por anos… Quanto à questão da nacionalidade no passaporte, eu concordo com você, mesmo porque eu só tenho passaporte brasileiro. Idealisticamente, eu diria que me sinto mais como uma cidadã do mundo do que alguém constrangida por meras barreiras territoriais, ou meros passaportes e blá blá blá... Na prática, porém, sabemos que não é assim que funciona e que um passaporte americano, europeu ou mesmo japonês abre mais portas, muito mais facilmente.Enfim, para finalizar… Eu acho que temos que acabar com essa crença de que todo imigrante é “coitadinho”, sofre abuso. Obviamente, muitos imigrantes sofrem abusos inimagináveis. Mas quando não o sofrem e estão cientes do trabalho duro que vão enfrentar… bem… Assim como você, eu também já fiz intercâmbio no exterior e fui lá “empregar a minha mão-de-obra barata”, ciente disso. Acho que é isso que falta. Um pouco mais de consciência do lugar que vamos ocupar, aonde formos. Você pode até ser bem-vindo na nova “casa”, mas sempre será um visitante.

Anna Furukawa
Anna Furukawa

Oi, Mõnica! Muito bom ter opiniões contrapondo e não somente concordando. Quem ia querer um mundo em que todas as idéias convergissem? Bom, em questões de paz, sim... Mas até aí a convergência é difícil, neah!?Responderei depois que voltar do trabalho, pois agora estou saindo!Abraços!

Mônica Araujo
Mônica Araujo

Olá,Eu achei o post mais do que ácido.O fluxo migratório japonês ao Brasil no começo do século passado fez parte de um outro contexto histórico daquele dos dekasseguis da década de 80. Não faço parte do Migrepi nem estudo migração, mas acho que são evidentes as diferenças do que aconteceu há 100 anos e do que acontece hoje.Já trabalhei no exterior e pude vivenciar e observar como é a visão de algumas pessoas sobre "imigrantes", sejam eles romenos, poloneses, brasileiros, indianos, enfim..Eu acho que todos tem o direito de querer ir atrás de melhores condições financeiras e ir atrás das suas ambições.Se o governo japonês auxilia os brasileiros desempregados, não é porque os japoneses são bonzinhos e os brasileiros usam e abusam da boa vontade japonesa. Não sei, realmente desconheço como são as coisas ai no Japão seja o balanço de pagamentos ou como funciona a sociedade, mas com certeza o auxilio não é por simples caridade. Quanto ao Brasil, posso dizer que aqui existe uma grande pressão e representação da comunidade japonesa para a questão dos imigrantes brasileiros, assim como dos italianos, pois existem duas comissões especiais nas duas comissões de relações exteriores e defesa nacional do legislativo federal para a questão dos brasileiros que estão fora. Não se pode dizer que há inércia total do Estado brasileiro para a questão. Política é difícil, especialmente com cada parte defendendo seus interesses e tem que haver algo que coordene e responda às exigências das partes e não importa se em democracias ou ditaduras. Reconheço que isso permite negligencias e falhas por parte do Estado por permitir a grande saída dessa mão de obra e que depois não é absorvida no retorno ao país.A questão da migração deve ser vista como parte de um sistema complexo que ocorre desde sempre porque é assim que as sociedades continuam. Há contextos e contextos para justificar tal movimento, sejam as colônias para gregos em ostracismo da Grécia antiga sejam os bolivianos que vão para São Paulo. Anna, não sei qual é a sua identificação cultural, não estou sendo ufanista, até porque isso não leva a lugar nenhum, mas eu acho que você tem uma visão inocente e simplista da imigração. Nação é uma grande abstração social humana e não sei qual é o futuro dela, mas eu não prego o fim da nação, nem sou kantiana, porque isso não vai fazer diferença.Minha opinião com certeza não é porque sou brasileira, porque nacionalidade é algo que colocam no passaporte e não é tão difícil conseguir outra, não sou descendente de japoneses nem tenho passaporte europeu, muito menos sei direito quem na minha árvore genealógica foi a última pessoa que veio da europa, mas respeito quem sabe dessas origens, pois é de diferenças que o mundo se constroi. Baseio minha opinião naquilo que aprendi tanto na sala de aula quanto na vida, porque sou neta de migrantes nordestinos e do interior de São Paulo que foram para a capital, porque moro em Franca, porque fui trabalhar ciente de minha mão de obra barata na europa e legalmente, mas sou da opinião do Flávio Sombra Saraiva de que este negócio de "migrante legal/ilegal" é uma grande furada, porque gente é gente e gente não é legal ou ilegal.Bom, não foi meu intento ofender, mas se o fiz, peço desculpas. Respeito quem discorde do que escrevi aqui e a vida segue.Boa sorte Anna ai no Japão e o blog ajuda muito na discussão e apresentação de pontos de vista.Abraços a todos!

Anna Furukawa
Anna Furukawa

Obrigada pelo apoio, pessoal!Espero postar com mais frequência a partir de agora, não só sobre o Japão, mas sobre a visão de como os assuntos do mundo são noticiados por aqui!Abraços nipônicos a todos! ^^

Giovanni Okado
Giovanni Okado

Olha só, finalmente apareceu por aqui. E, por sinal, a aparição foi muito boa. Excelente post, Anna. Parabéns!

Bianca Fadel
Bianca Fadel

Muito interessante a perspectiva da Anna escrevendo de terras japonesas ! Adorei o post !Realmente, trata-se de um ponto de vista bem diferente daquele que usualmente temos analisando a situação a partir de terras tupiniquins... leitura fácil e bem bacana !Até mais ! =)

thata
thata

eh, realmente o jeitinho brasileiro estraga muito nossa reputaçao.eu tbm moro fora, ha 3 anos na italia, q eh um pais super facil de se adaptar, tanto pela lingua, como pelos custumes e noto que a maioria dos imigrantes, nao soh brasileiros, mas romenos, africanos, etc, vem aki e passam anos sem se adaptar ao pais, aprender a lingua. No final das contas, os italianos que jah se sentem "usados", ainda tem q conviver com a criminalidade causada por pessoas q vem de fora. E detalhe, por aqui tbm existem varias escolas estaduais q prestam serviços do tipo, como cursos profissionalizantes, de italiano para estrangeiros. Ou seja, p imigrante que começa com um emprego de fabrica, e se estabiliza, nao cresce profissionalmente e nao se integra por falta de interesse, pq as ferramentas sao dadas ateh msm pelo governo italiano.

Alcir Candido
Alcir Candido

"O post pode parecer meio ácido"De fato. Mas vc é praticamente japonesa, já morou no Japão antes dessa temporada que está passando aí agora e ainda é descendente de japoneses. Se vc está escrevendo isso, tem todas as razões, motivos e argumentos.Parabéns pelo post MUITO bem escrito, com um opinião diferente daquela da maioria, mas muito bem fudamentada em ARGUMENTOS!Seja bem vinda (novamente) à Página Internacional, que agora tem duas correspondentes internacionais (vc no Japão e a Carla Diaz no Peru).