Enquanto isso, no não-tão-Pacífico oceano ali do lado

Por

“As expressões que ouvimos ontem, que classificaria de ofensivas e arrogantes, não contribuem para a integração e colaboração que deveriam existir entre vizinhos”. Se eu dissesse que essa frase veio da presidente chilena Michelle Bachelet, muita gente ficaria surpresa. Outra troca de farpas na América do Sul, e agora envolvendo dois atores tão pouco polêmicos quanto Chile e Peru?

Pois é. O Peru está acusando o governo chileno de espionagem. Prenderam um suboficial da aeronáutica peruana, e anunciaram que vão pedir que a Interpol verifique a autenticidade das informações. O Chile, obviamente, nega tudo e devolve as farpas com declarações como essa aí em cima.

É, acontece que a tensão não é tão nova e os dois países já protagonizaram (e ainda estrelam) disputas territoriais. Tudo remonta à Guerra do Pacífico, que durou de 1879 a 1883 e envolvia inicialmente apenas Chile e Bolívia. Ambos os países disputavam recursos minerais na região (cobre, principalmente), até que a Bolívia resolveu criar uma taxa para exploração dos minérios e o Chile invadiu a Bolívia, que por sua vez declarou guerra e convocou um acordo de defesa secreto com o Peru. Esse último entrou de gaiato e acabou perdendo território, e a Bolívia disse adeus à sua última saída para o mar…

Mas o que isso tem a ver com a suposta espionagem chilena? No ano passado, o Peru entrou com um processo na Corte Internacional de Justiça de Haia, pedindo um maior acesso ao Oceano Pacífico. Eis que surge, novamente, a província de Taparacá, anexada pelo Chile.

Ora, segundo o Peru, os tratados assinados assinados na época da guerra não eram formais, mas meramente pesqueiros. O Chile não ficou nada satisfeito com essa iniciativa peruana. A província é muito rica em recursos, menina dos olhos de todos os lados. O andamento do processo ainda se encontra em fase inicial, mas um parecer favorável ao Peru poderia desencadear uma série de problemas na região, que já conta com combustível suficiente por conta de Equador, Venezuela e Colômbia.

Espionagem ali é quase certeza. Interpol e Haia envolvidas, será que a América do Sul é assim tão tranquila quanto dizem?


Categorias: Américas


0 comments