Enquanto isso, na Guiné-Bissau…

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No momento em que todas as atenções estão voltadas para a Europa com a recente eleição do presidente francês e o início de uma Cúpula G-8 que deve ser marcada pelo debate sobre austeridade versus crescimento (leia post no blog a respeito aqui), a situação política da Guiné-Bissau, em contrapartida, enfrenta um momento delicado. 

Este país africano sofreu, há cerca de um mês, um golpe militar às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. A interrupção do legítimo pleito democrático representou o sucesso de um golpe que já foi tentado antes e que, infelizmente, tem sido recorrente desde a independência do país. A forte censura às atividades de comunicação desperta indignação popular e nos mostra a todos o quão frágeis podem ser as estruturas políticas, mesmo na atualidade. 

A nomeação de um Presidente e um Primeiro-Ministro de transição no país foi um dos elementos-chave das discussões dos últimos dias por parte da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). Com o prazo de um ano para formar um governo de coalizão, esta iniciativa vem sendo, entretanto, contestada por partidos e organizações sociais de oposição ao golpe que defendem a necessidade de novas eleições presidenciais… 

A ONU, por sua vez, aprovou hoje uma Resolução do Conselho de Segurança a este respeito. O objetivo: a realização de um “processo eleitoral democrático”, mas sem exigir a volta do governo deposto. Mesmo com a aprovação desta resolução, uma real vontade política por parte da ONU (ou dos organismos internacionais em geral) é duvidosa. Ultrapassar o nível das aparências para alcançar o nível da efetividade política não é um processo simples e o limiar entre intervenção legítima e atentado à soberania nacional também nem sempre é claro. 

A situação se torna ainda mais complicada quando se percebe a rede de narcotráfico que certamente está ligada diretamente às origens das motivações golpistas na Guiné. Para uma real efetividade nas ações, é preciso “cavar mais fundo”. Resta saber apenas quem protagonizará esta difícil empreitada e de que forma esta deve/pode ser promovida.


Categorias: África, Política e Política Externa


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