Engraçado né, ninguém presta muita atenção nas construtoras…

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“A família do Bush tem ligações com o petróleo! Fora Bush! Eu e minha camiseta anti-McDonalds iremos salvar o mundo!” Calma aí aspirante burguês de Che Guevara, o petróleo é algo que deve ser substituído o quanto antes, mas o buraco é mais abaixo.

Tanto na primeira Guerra do Golfo quando nas atuais incursões no Iraque e no Oriente Médio, muito se falou sobre a indústria do petróleo, que eles são muito malvados, que eles fazem as guerras acontecerem, etc. Isso é verdade, porém a galerinha “consciente” cujo maior passatempo é fazer cartazes e usar camisetas punk acha que tudo é culpa do sangue negro e fazem uma análise fraca que não percebe uma das maiores forças em ação do mundo – a construção. Especificamente os grandes grupos ligados à obras públicas (que mancham o nome de quem faz coisas visando o bem-estar da população).

Não precisamos entrar em muitos detalhes para perceber isso, imaginem a situação. O país A ajuda de maneira suave o país B a se livrar de um opressor ou do terrorismo, infelizmente em um conflito (putz, que pena…). Algumas pontes, prédios, estruturas governamentais são destruídos ou incrivelmente danificados no andar da carruagem, logo elas tem que ser reconstruídas. Como já entramos sem bater, porque não palpitar no governo e propor uma maior infraestrutura para o país? Fica tranquilo, já conhecemos quem pode ajudar!

É um festival de licitações, contratos e maracutaias que botam o petróleo no chinelo. Suborno a torto e direito, tão bem amarrado que conseguem jogar toda a culpa no petróleo! Todo político adora fazer ponte, viaduto, mas será que é culpa somente deles que tem tanta construção eleitoreira? Não é se surpreender que 54% dos congressistas eleitos agora tiveram a ajuda de construtoras. Ou lembrar que grandes grupos Brasileiros como Camargo Correa e Odebrecht atuam em diversos países pelo mundo em parceria com governos ditatoriais sem se preocupar o porque das suas obras ou de onde veio o dinheiro.

Outra mutreta que utilizam para se safar é o status de neutralidade que gozam. Afinal, quem imaginaria que aquele pessoal que faz o prédio que eu moro, que tem um amigo engenheiro que trabalha lá, que um conhecido trabalha de pedreiro, quem acreditaria que essas empresas são ruins, se eles só ajudam os outros? Eu conheço muito engenheiro e construtora que faz tudo nos conformes, até mesmo umas que vão além das fracas legislações ambientais e procuram pagar melhor os empregados, oferecer melhores condições e até mesmo diminuir ao máximo seu dano ao meio ambiente. Infelizmente existe muita empresa que não se importa com isso, algumas que vivem como sanguessugas do sistema político.

Pensando no meio-ambiente, qual é o maior gasto de madeira, em especial a ilegal? Construção civil. Claro que isso envolve tanto as grandes empresas quanto aquelas menores, porém é outra prova que esse setor continua tendo seus problemas não percebidos pela grande população.

É no mínimo insensato sair dizendo que todas as corporações e setores econômicos são malvados e visam a destruição mundial, mas é realmente ingênuo ficar fazendo vista grossa a grandes forças mundiais e ficar pensando que o Mc(fumar e beber não é errado nem são originários de empresas malvadas, de acordo com os manifestantes de praxe), a Coca e a Exxon são os únicos vilões da história. O número de influências e forças agindo para conflitos e relações acontecerem é muito maior e mais complexo do que pensamos.


Categorias: Economia, Polêmica, Política e Política Externa


3 comments
Ivan Boscariol
Ivan Boscariol

Bom dia,Sim, na verdade quis criticar a ganância das grandes contrutoras de uma maneira geral. Sabia das implicações de tal associação e sei que generalizar traz grandes problemas, mas prefiro fazer assim do que escrever algo chapa branca em que só se fala de pontos pacíficos. E essa comparação das construtoras não é nem um pouco nova e nem foi idéia minha. É antiga e corriqueira em análises de conflitos estadounidenses, inclusive com livros que tratam de manipulações econômicas para beneficar grupos dos EUA.Caso não tenha ficado claro, a intenção do post era mostrar que esse é um setor que ninguém observa mas que tem um impacto muito forte na política, tanto nacional e tanto internacional.Sabia da polêmica (é até uma das tags :) ), mas aceito teus comentarios de bom grado e fico feliz que tenha se manifestado, mostrando que posso ter passado do ponto e que existem grupos que não fazem esse tipo de mutreta. Mas eles ainda existem.

Mario Henrique Mendes
Mario Henrique Mendes

(parte 2)Essa realidade de que construtoras ganham muito dinheiro com as guerras, sim, é verdade, afinal alguém precisa reconstruir o país e recriar elos entre as cidades, ou criar novas linhas que permitam a troca comercial e o fluxo de pessoas. Se os EUA ganham com isso agora, o Brasil também já ganhou muito. Vários livros contam a história de nossa cooperação em construções no Oriente Médio, e como aquilo foi importante ao nosso país naquele tempo. Agora isso é completamente diferente de dizer que as construtoras incentivam as guerras ou são delas patrocinadoras. Interesses todos têm, é fato. Porém creio ser extrapolação comparar invasão a certos países buscando domínio sobre matérias-primas como o petróleo (fato nem sempre comprovado, digno de dúvida) com invasão a países para poder construir após sua destruição. Acho tal equiparação no mínimo equivocada. Não digo isso pelo mero fato de meus pais terem trabalhado com isso, mas porque acredito que o autor deste post foi além da realidade, tentou "inventar a roda", "pensar algo que ninguém nunca pensou" e extrapolou os limites da realidade.Além disso, fiquei em dúvida quanto à real intenção do post. É pra criticar as construtoras, dizendo que incentivam as guerras; pra dizer que lucram com a guerra (o que por si só não é nada condenável) ou é pra dizer que elas desrespeitam os funcionários e o meio-ambiente? É sobre "defesa e segurança", sobre "economia" ou sobre "sustentabilidade"? Tudo bem que o autor termina o texto afirmando ser "complexa" a relação tratada, porém não é pela simples utilização de tal adjetivo que o autor conseguirá marcar sua posição e seus pontos, extremamente confusos e desconexos. Relacionar notícias com a intenção de fazer uma análise vai muito além de simplesmente jogar toda a informação num mesmo texto e dar uma "misturadinha" pra ver se cola... Obrigado.

Mario Henrique Mendes
Mario Henrique Mendes

(parte 1)Não posso deixar de comentar que minha família está diretamente ligada ao histórico de construtoras e guerras. Meu pai, ex-funcionário da construtora Mendes Junior, trabalhou no Iraque por 3 ou 4 anos, no início da década de 1980. Minha mãe já tinha uma filha e foi algumas vezes pra lá também, ajudava no dia a dia com outras mulheres, acredito. Minha segunda irmã acabou nascendo lá no Iraque. O trabalho da Mendes Junior, naquele tempo, era construir rodovias e ferrovias pelo deserto, próximo a Bagdá. Existem mil histórias a respeito daquela época (uma das mais engraçadas conta que um certo grupo de brasileiros estava em um bar que, já naquele tempo, tinha vários cartazes com a foto de Saddam Hussein. E o que os brasileiros fizeram? Pintaram bigodes e chifres na foto do coitado... Típico de brasileiros, não? Segundo conta meu pai, tal grupo foi levado a prestar maiores esclarecimentos à polícia, e nunca ninguém mais soube deles - simplesmente sumiram, deportados, presos ou algo pior, ninguém sabe). No trabalho, todos tinham de usar broches com a foto de Saddam Hussein; moravam em acampamentos específicos, cada casa era um trailer pré-montado, permitindo que a "cidade" fosse deslocada conforme a obra (ferrovia/rodovia) fosse avançando. Meus pais voltaram ao Brasil em 1984, quando começou alguma guerra por lá (Irã x Iraque, creio eu, e depois teve Guerra contra o Kuwait, altos rolos). Mas aí ocorria o que era óbvio: a primeira coisa a ser bombardeada, claro, eram as estradas e ferrovias, que tanto trabalho deu para construir...