Energia nuclear em questão

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“A energia nuclear é uma forma boa, limpa e segura de se gerar energia, e pode ser usada em larga escala”. Esta é a opinião do cientista James Lovelock, famoso por polemizar em seu meio a respeito da geração de energia a partir de fontes nucleares. Em certa medida, seus argumentos são válidos e defendidos por muitos, já que a energia nuclear efetivamente não gera gases de efeito estufa, não compromete áreas de reservas naturais e demonstra um potencial financeiro e científico elevado para que o enriquecimento de urânio ocorra.

Contudo, esta discussão vem à tona no momento em que um dos principais efeitos negativos da geração de energia nuclear é visível após os desastres naturais que assolaram o Japão: a contaminação radioativa. Os níveis de radiação estão comprovadamente altos em um raio de 30 quilômetros da usina de Fukushima Daiichi, no Japão. O terremoto da semana passada danificou os reatores dessa usina, cuja responsabilidade é da empresa Tokyo Electric Power Co.

A situação, que já constitui um cenário de crise nuclear, se encontra no nível cinco de uma escala internacional de risco (o nível sete é o máximo, alcançado no caso de Chernobyl, em 1986). Jatos d’água estão sendo lançados nos reatores para resfriá-los, evitando que a disseminação das partículas radioativas se intensifique na localidade; porém, a opção de enterrar esses reatores está sendo cogitada pela primeira vez, demonstrando a gravidade da situação.

Este contexto remonta a um questionamento básico: a geração de energia nuclear compensa os riscos de sua implementação? Sabe-se, por meio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) – órgão da ONU que fiscaliza questões relativas à tecnologia nuclear – que aproximadamente 14% da energia gerada no mundo é nuclear, constituindo-se esta na terceira maior fonte energética existente (e o Japão é um dos países que possui o maior número de reatores, depois dos Estados Unidos e da França).

Além da preocupação com a produtividade energética em si, pode-se argumentar que, muitas vezes, os Estados prezam pela energia nuclear (a despeito de outros tipos renováveis/não-poluentes de geração de energia) ao avaliarem aspectos político-estratégicos nas Relações Internacionais. Com vistas à ampliação de seu poder relativo e ao seu crescimento em termos de influência no cenário inter-estatal, investimentos financeiros altíssimos são direcionados à tecnologia nuclear.

Entretanto, desastres do porte deste ocorrido no Japão reforçam a necessidade de cautela e promovem o debate a respeito, sendo que a Europa já repensa investimentos nessa área – especialmente considerando a baixa aceitação da sociedade civil em geral neste âmbito. Assim, não fica tão difícil perceber o porquê de Lovelock ser considerado polêmico em sua acalorada defesa da geração de energia nuclear que, se por um lado pode ser “boa, limpa e segura”, por outro pode ser extremamente danosa em vários sentidos.


Categorias: Ásia e Oceania, Polêmica


2 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Obrigada pelo comentário, Bruno!Realmente, este assunto rende muita discussão e é interpretado de diferentes formas dependendo da situação e, principalmente, dos interesses envolvidos, não?Mas concordo absolutamente com você que as pesquisas devem ser sempre incetivadas, na busca de uma real sustentabilidade energética.Abraços! Até mais!

Bruno Feitosa
Bruno Feitosa

Muito bom o post! Devo falar que a frase citada no post: boa(eficiente)sim!, limpa(só se fosse a fusão e isso ainda esta em pesquisa)Não!, segura depende de quem administra e quem executa protocolos até bons já existem. Acho que colocar uma U. Nuclear em cimama de uma falha, ou próxima a uma um erro, em locais de atividades violentas da natureza como um todo... a além disso as possibilidades ecológica como foi dito, mas acho que não podemos parar no cam da energia atom. com as pesquisas essas devem ser incentivadas, para conseguirmos energia realmente limpa e renovável.