Em terras holandesas…

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Enquanto os jogadores de futebol da Holanda chegam ao Brasil e se ambientam sob muitos holofotes para o (aguardado) jogo amistoso contra a seleção brasileira amanhã, eis que, por sua vez, na Holanda desembarca (finalmente) Ratko Mladic para ser julgado pelo Tribunal de Haia por genocídio e crimes contra a humanidade. [O apelo futebolístico dominando, tal como usual, os noticiários nacionais ao mesmo tempo em que um marcante momento histórico é escrito internacionalmente no que se refere à justiça internacional.]

Apenas para contextualizar, o ex-general sérvio Mladic era, desde 1995 e até poucos dias atrás, um dos criminosos de guerra mais procurados da Europa, com acusações dentre as quais se destacam o massacre de mais de 8 mil muçulmanos em Srebrenica e o cerco a Sarajevo, durante a Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995. (Para mais informações, veja aqui e aqui.)

Tal como o colaborador Luis Kitamura apresentou há poucos dias em seu interessante post, fica no ar o questionamento acerca da existência de uma justiça internacional realmente efetiva, considerando – ainda hoje – a impunidade de tantos seres humanos que, no decorrer da história, espalharam o ódio e a desgraça nas mais variadas situações e deixaram mais do que clara sua falta de humanidade.

O próprio Mladic viveu 16 anos foragido, supõe-se que com ajuda da própria sérvia e mesmo de outros países. Após todo esse tempo, sua prisão traz à tona a reflexão acerca da importância da imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade: estes são imprescritíveis (ou seja, não possuem tempo limite para serem julgados) exatamente porque não se pode esperar que as pessoas que estão em um Estado em guerra (ou que compactuam com a situação dominante) julguem a si mesmos de forma idônea, especialmente em relação a crimes deste nível.

Desta forma, mesmo depois de tantos anos, espera-se que a justiça seja feita em Haia, na Holanda, e que as famílias das vítimas de Mladic possam sentir-se, no mínimo, “consoladas” de alguma forma diante do julgamento daquele que liderou tantas atrocidades em episódios que mancham de sangue a história européia recente.


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