Eles estão voltando…

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Para o México! De acordo com estudo realizado pelo “Pew Hispanic Center”, há mais mexicanos voltando para casa do que indo para os Estados Unidos (EUA). É a primeira vez na história que isso acontece, configurando-se como a maior detenção de fluxo migratório do território norte-americano. De acordo com Paul Taylor, diretor do “Pew Center”, este movimento não é algo conjuntural, ou seja, temporal, mas sim algo bem mais importante: uma verdadeira mudança no eixo da relação de ambos os países. 

Nos últimos quarenta anos, nenhuma outra nação enviou mais imigrantes para os EUA do que o México. Segundo o estudo mencionado acima, cerca de 12 milhões de mexicanos já cruzaram a fronteira, sendo que praticamente metade entrou de maneira ilegal. Todavia, nos últimos cinco anos, esta tendência diminuiu consideravelmente e especialistas já falam em uma inversão na ordem de cruzamento da fronteira, conforme pode ser visto no quadro abaixo: 

Esta mudança de rumo migratório fica ainda mais evidente quando se observam os números ano a ano (de 1991 até 2010): 

Há duas explicações fundamentais para este comportamento. Primeiro, com certeza, o forte combate e a intensa patrulha fronteiriça proferida pelos EUA influenciaram este comportamento. É crescente o controle nesta área e o número de deportações para o México ainda tem valores expressivos. Segundo, os mexicanos diminuíram suas taxas de crescimento populacional e melhoraram seus índices econômicos internos. Convenhamos que, embora os EUA sempre fossem um “mercado aberto” para os imigrantes, na última década o mercado de trabalho lá não estava correspondendo positivamente, exemplificado pelas crescentes ondas de desemprego. 

É algo que ambos os governos devem “comemorar”. De certo modo, Samuel Huntington, famoso por criar a “Teoria do Choque das Civilizações”, ficaria feliz com esta notícia. Para ele, os mexicanos, principalmente com seus costumes hispânicos, são uma ameaça à integridade regional e política norte-americana. E é óbvio que os EUA sempre combateram esta presença, em sua vertente ilegal, no país. Por outro lado, este movimento induz a mudanças internas no México, não havendo mais uma diáspora no território pode ser sinal de melhoras nas políticas domésticas e maior controle estatal sobre elas. 

Mas ainda é cedo para ter argumentos concretos. Com um total de 40 milhões de imigrantes, um em cada três que vivem nos EUA é mexicano. A presença “latina” continua a ser forte e demandará longos estudos futuros do mesmo porte que este realizado pelo “Pew Center”. 

PS: Vários dados numéricos e os gráficos foram retirados do documento “Net Migration from Mexico Falls to Zero – and Perhaps Less” do “Pew Research Center” que pode ser obtivo aqui.


Categorias: Américas, Estados Unidos


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