Ele ganhou!

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Enquanto a Andrea não faz o post que ela ia colocar aqui, e que deve sair logo, alguém gostaria de fazer algum comentário sobre a vitória do Chávez?

Bom, eu, particularmente, tenho dúvidas quanto à idoneidade do processo eleitoral, embora a oposição tenha o aceito. Mesmo assim, sem entrar em questões ideológicas, como já disse no post, acho que, para o Brasil, o Chávez ter ganhado, neste momento, foi melhor. Em momentos de crise, não podemos ignorar o comércio, mesmo que pequeno, que existe entre o Brasil e a Venezuela, que é superavitário para nós.

Alguém tem mais comentários?


Categorias: Américas, Política e Política Externa


10 comments
Alcir Candido
Alcir Candido

Erlon, ótima sugestão!Mas, como se trata de um assunto um pouco mais complexo, estamos preparando não um post grande sobre isso, mas alguns menores, em que todos esses pontos sejam discutidos. E também, por serum pouco mais aprofundado, também nos levará um pouquinho de tempo, talvez uma semana ou menos. Mas está tudo sendo pensado!valeu!

Erlon Faria Rachi
Erlon Faria Rachi

Oi AlcirSe concordamos com o essencial... às favas os acessórios!Gosto deste espaço e da tua iniciativa! O debate é bom, e já que concordamos no conceito e no principal, não insistamos nas firulas!Passemos para um outro assunto então!Fica uma sugestão de tópico: ASIA. Como NÓS nos inserimos lá, que é lar de quase 40% da humanidade... A secretária Clinton começou seus esforços lá, hoje ainda visitou a Indonésia (incluída no meio do 'pacote tradicional' composto por Japão, China, Coreia. O enviado Hallbrook também já esteve no Afeganistão e no Paquistão. Seria legal voltar o debate de brasileiro para aquela região e sair do circuito 'Elisabeth Arden'.Abração! é sempre um prazer debater contigo

Alcir Candido
Alcir Candido

Erlon, mais uma vez, concordo com você, você está perfeitamente correto, acontece que vc não entendeu meu ponto, de verdade. E, por isso, eu vou parar a discussão por aqui.Primeiro porque eu achei engraçado vc ter colocado que eu teria de ler o texto de forma mais 'desapaixonada'. Quem me conhece vai rir muito disso, pq minha posição pessoal é bem de oposição mesmo a o Chávez, governos populistas de esquerda, ou qualquer coisa relacionada a esse discurso ultrapassado...O que eu disse, e continuo afirmando, é mais simples do que esse tipo de discussão, e pode se resumir pelo seguinte: se o Chávez, neste domingo passado, tivesse perdido, poderia haver algum tipo de crise política mais séria na Venezuela, ou pelo menos as portas para esse tipo de crise estariam mais abertas, no curto prazo, do que se ele tivesse ganhado, como aconteceu. É uma questão de curto prazo, não estou discutindo o longo prazo, a oposição tirar ele do poder, ganhar, enfim, isso é um acontecimento posterior ao que eu me refiro. Eu deixei claro em todos os posts que eu fiz o termo: NESTE MOMENTO. Tanto que eu nunca me referi à oposição como 'maléfica1, nem entrei nesse mérito, porque ele não tem nada a ver com o que eu me propus a discutir. Nem tampouco falei que seria a OPOSIÇÃO o problema e, sim, a CRISE, ou potencial de crise, que poderia haver.Não sou contra a oposição ganhar força, de verdade, e já li e reli meu texto, já pedi para outras pessoas lerem e, de fato, pode ser até que haja margem para esse tipo de entendimento, já que senão vc não teria levantado esse ponto, mas que já foi esclarecida com os comentários que eu fiz. De verdade, Erlon, mais uma vez, seus comentários sempre são muito bem vindos, e eu concordo contigo, mas eu ainda acho que vc não entendeu meu ponto, pode ser que eu não tenha sido claro ainda.Por isso, eu, da minha parte, encerro essa discussão, até porque já estou pensando em outros tópicos para postagem.No entanto, quem tem blog é pra apanhar!!! E, quando começamos este blog, eu já sabia disso. Por isso, você, que critica com base, sem ficar rebatendo por rebate, sempre será bem vindo por aqui!até mais

Erlon Faria Rachi
Erlon Faria Rachi

Alcir... rebato novamente o ponto... e desde quando dar fôlego à oposição é algo ruim? Democracia pressupõe que a oposição possa ganhar o poder E GOVERNAR. E se a oposição ganhar folego? E se a oposição ganhar? Até onde eu sei, ninguém lá tem inclinações anti-brasileiras.Opor-se a Chavez não é intrinsecamente ruim! E nem acho que nós brasileiros tenhamos que tomar partido entre um ou outro lado.A coisa muda de figura quando dentro de um processo interno de disputa política há algum tipo de hostilidade aberta, como houve no Paraguai, na Bolívia e como houve em certa medida no Equador, onde o Brasil foi o 'bode expiatório' dos problemas locais.ps...(leia novamente o seu 'post' de forma desapaixonada e veja como o seu texto pode ser interpretado, compreende-se sim quando vc diz:"melhor em termos de estabilidade é que ele tenha ganhado o referendo, uma vez que uma derrota, aliada às condições econômicas da Venezuela, poderiam dar fôlego à oposição..." ora, sem explicar o que diabos a maléfica oposição fará que nos prejudicará, so é possivel entender que vc é contra 'per si' ao fato de que oposição ganhe força, opinião esta que eu sei que vc não desposa, mas seu texto assim infere)

Alcir Candido
Alcir Candido

Erlon, desculpe, mas vc não me entendeu...Nunca disse que o chavismo é garantia de estabilidade, eu não sou ingênuo a este ponto. O que eu disse, e repeti, é que NESTE MOMENTO, o melhor em termos de estabilidade é que ele tenha ganhado o referendo, uma vez que uma derrota, aliada às condições econômicas da Venezuela, poderiam dar fôlego à oposição...Então, mais uma vez para que não haja mais problemas de entendimento, não se trata da permanência de Chávez per si, não se trata da eleição deste ou daquele líder em quatro, dez, vinte, anos, e, sim, DESTE MOMENTO específico. Temos de concordar, por mais ingênuos ou experientes que sejamos que a derrota de Chávez daria fôlego à oposição, como deu quando ele perdeu o plebiscito anterior, uma nova derrota seria perder grande poder político... E, quando olhamos a história da Venezuela, é óbvio demais que já outros líderes que também conseguiram dar golpes e continuar no poder por algum tempo por conta de altos preços do petróleo, mas quando os preços caíram, eles caíram junto.Os preços do petróleo estão caindo de novo, a Venezuela, de algum tempo, já enfreta problemas de desabastecimento e outros problemas econômicos, como a inflação que vai bater na casa dos 40% esse ano... Assim, é fácil presumir que as condições que mantinham grande parte do povo ao seu lado agora estão mudando, e ele, que não é besta nem tosco, sabe disso muito bem, pq deu um golpe num momento de crise de outro governo.Portanto, eu mantenho a minha tese. até mais!

Erlon Faria Rachi
Erlon Faria Rachi

Oi Luis, Oi AlcirLuis, concordo contigo que o processo deveria ser mais institucionalizado, seguindo um “rito” mínimo, guiado por um órgão colegiado com visões, opiniões e compromissos diversos. Democracia é o governo da maioria, sim, mas com o respeito aos direitos da minoria.Infelizmente tanto o bolivarianismo, como peronismo na argentina têm como pedra-base a existência de um ‘salvador da pátria’ que derrota o mal e faz a sociedade avançar como resultado da sua vontade individual. A consequencia primária destas ideologias é a idiotização dos cidadãos como agentes individuais capazes de fazer o Estado funcionar, pois este deve funcionar de acordo com o desejo do ‘timoneiro’Alcir, quanto à assunção de que a permanência de Chavez é garantia de estabilidade institucional na Venezuela, é algo totalmente ingênuo. O chavismo baseia-se na divisão da sociedade venezuelana e a radicalização das paixões políticas é o cerne que o alimenta. Esta atitude não é exclusiva de Chavez (vide como a oposição entrincheirada na Fedecamaras age da mesma forma).Chavez eventualmente sairá do poder e é necessário construir uma ‘porta de saída’ pra ele. Ele sairá por cansaço, senilidade, saúde física, insurreição... será mais cedo ou mais tarde, mas sairá. Esta questão é um problema para regimes similares. Reeleições ilimitadas e a não-construção de alternativas ao caudilho sempre trazem problemas, como vemos com o Zimbabwe de Mugabe.Cuba é outro exemplo disso, não resolveu o problema, apenas o ‘empurrou com a barriga’ quando empossou Raúl Castro (em breve deverão ter de abordar novamente o problema). Coréia do Norte e Síria resolveram o problema, ao legitimar a hereditariedade aos líderes.Assumir que a permanência de Chavez ‘per si’ possa interessar mais ao Brasil do que a eleição de outro líder dentro de 4 anos é uma hipótese um tanto tosca. É mais ou menos como se a Argentina fosse contra o impeachment de Collor, pois talvez isso afetasse o comércio BRA/ARG (então superavitário a eles na época).O plebiscito deste domingo não foi para tirar Chavez do poder. Foi para decidir se daqui a alguns anos ele poderia disputar ou não... se ele tivesse sido derrotado, teriamos um país ainda estável, ainda governado por Chavez, porém ele teria alguns anos para preparar um sucessor (como Lula está fazendo com Dilma).A permanência de Chavez no poder ou não não nos afeta diretamente, o que incomoda, sim é a influência que ele exerce em terceiros países. Como brasileiro, creio que se alguém deve influenciar a região, somos nós.PS. Luis, há uma historia engraçada. Em um barco a naufragar encontram-se 12 negros e 8 brancos. Faz-se uma eleição e resolve-se jogar ao mar os 8 brancos. Há quem diga que isto é democracia....

Luiz
Luiz

Bem, o primeiro fato que chama atenção para o resultado do plebicito é a elevada abstenção - cerca de 30%.Por mais que a eleiçào tenha sido legítima, como afirmam Ongs (aliás, desde quando ONG é fonte confiável.. baste ressaltar que muitos observadores internacionais foram expulsos da Venezuela ao longo do Governo Chavéz) o que é realmente alarmante é uma abstenção tão grande quando um assunto de extrema relevância está em pauta.Outro ponto é um questionamento a própria legitimidade de um plebiscito. Chavéz utilizou várias vezes essa ferramenta, inclusive no Plebiscito de 2007 que teve 45% de abstenção, com uma diferença mínima entre os votos a favor.Naquela ocasião Chávez foi derrotado, mas não bastaram 2 anos para que um dos principais temas de sua reforma consitucional fosse aprovada agora. Além disso, foram votados em 2007 mais de 60 emendas em dois blocos, o que é algo totalmente questionável, uma vez que boas reformas estavam misturadas com reformas de conteúdo duvidoso, como o caso da reeleição indefinida. Pra mim, pelo menos, democracia não é somente a maioria contra a minoria... e talvez se o caminho das mudanças na Venezuela fossem mais institucionalizadas, poderíamos ter uma história diferente... mas isso é outra discussão.

Alcir Candido
Alcir Candido

Mais uma coisa, em tempo ainda, a questão não é de que Chávez seja melhor ou pior para o comércio do Brasil, e, sim, a estabilidade, mesmo que fraca, que ele representa, já que se perdesse o referendo poderia dar fôlego à oposição.até mais

Alcir Candido
Alcir Candido

Então, Erlon, eu concordo contigo. Acontece que se o Chávez perde, dada a situação econômica que o país está enfrentando, a Venezuela corre o risco de entrar em uma crise que com toda a certeza poderia afetar o comércio entre entre nós e a Venezuela, afina, país que entra em crise compra menos, a grosso modo... Então, é melhor ter um país 'estável' do que um Chávez perdendo o referendo e sabe lá Deus o que pode acontecer.até mais

Erlon Faria Rachi
Erlon Faria Rachi

Oi AlcirRespeitemos pois a vontade do povo Venezuelano! Gostaria de comentar entretanto a noção de que Chavez é melhor ou pior para o comércio com o Brasil.O nosso comércio com a Venezuela INDEPENDE de quem seja o presidente daquele país. Somos superavitários simplesmente porque nós produzimos o que eles não tem condições de produzir lá e porque não compramos o único bem de exportação venezuelano: Petróleo.A incipente indústria e a fraca agricultura venezuelanas não têm conseguido acompanhar a demanda interna que aumentou muito com as políticas de redistribuição de renda adotadas. Este avanço na diminuição da miséria foi acompanhado do exorcismo da iniciativa privada, que não investe (por medo das desapropriações, entre outros fatores) e não consegue colher os frutos desta expansão do mercado interno.Como a moeda Venezuelana (o Bolivar) seguiu um regime de "força" relativa, devido à alta internacional dos preços do petróleo, nossos produtos chegam lá muito mais baratos.Este são os motivos básicos do nosso superavit comercial. Se não comprar produtos do Brasil e da Colômbia, há desabastecimento generalizado em Caracas (e outro 'caracazo' como em 1989 não será tolerado pelo governo).Estes são os fatores de fundo que trouxeram o comercio Brasil/Venezuela até aqui.De agora em diante, com o preço do petróleo em queda, não há outra alternativa senão uma desvalorização do bolivar... faltarão dólares para pagar pelo deficit que eles têm conosco, por exemplo. Esta desvalorização não foi feita ainda pelo mesmo motivo que FHC "segurou" o real em 1998. Chavez queria ganhar a reeleição ilimitada. Com a desvalorização da moeda, subião os preços relativos de nossos produtos e o superavit brasileiro tende a diminuir.Vale observar além disso uma particularidade do sistema de comércio que temos com os venezuelanos: O exportador brasileiro fecha a venda, embarca o produto e não recebe de imediato! O banco central da Venezuela tem esperado ate 180 dias para liberar o equivalente em reais à mercadoria exportada. Este 'atraso' venezuelano já foi inclusive motivo de assunto entre o Celso Amorim e o chanceler venezuelano. A questão está sempre 'sendo resolvida' e o exportador brasileiro já colocou 'na margem' do produto, o custo financeiro desta demora...