Economia doente

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A epidemia de ebola na África, que ocupa as manchetes por causa das mortes e da instabilidade política, já está migrando para outro setor do noticiário – a extensão da epidemia, a longa duração e a quantidade de pessoas afetadas já pode causar impactos reais na economia dos países afetados.

Economia em si é algo ligado diretamente às causas dessa epidemia, da falta de condições sanitárias e de profilaxia que levam ao alastramento do vírus, à ganância das indústrias farmacêuticas que deixam de lado o tratamento de doenças tropicais como malária já que, dificuldades inerentes do combate a viroses à parte, não rendem lucros como remédios para calvície ou outros problemas mais urgentes para o primeiro mundo. Porém, aqui falamos de consequências reais e imediatas. Ao longo das semanas de epidemia, seguindo o rastro de mortes (milhares a cada semana) se seguiram a retirada de empresas, investimentos, redução ou completa suspensão da operação de linhas aéreas e problemas de produção, desabastecimento e saques. Apesar do auxílio externo, países como Guiné, Serra Leoa e Libéria terão sua economia afetada em médio prazo por conta dos efeitos imediatos e a recuperação pode levar muito tempo já que não existem estimativas confiáveis de quando a doença será controlada. Nesse caos, Serra Leoa chegou à medida extrema de decretar uma quarentena nacional por três dias na tentativa de identificar mais facilmente as pessoas afetadas.  O perigo de expansão da doença para outros países, especialmente a Nigéria, acima de tudo é um risco humanitário, mas que pode piorar a situação econômica da região.

Historicamente, não é nenhuma novidade. Na esteira da Primeira Guerra Mundial, a crise da Gripe Espanhola causou ainda mais prejuízos econômicos no mundo – e mudou até mesmo a política do Brasil já que vitimou o presidente eleito Rodrigues Alves em 1919. Nem precisamos dizer o resultado da Peste Negra na Europa durante a Baixa Idade Média. Porém, a crise do ebola se assevera por conta das condições de propagação da doença e pelo fato de serem economias que apesar dos pesares conseguiam manter uma taxa de crescimento estável nos últimos anos. Com isso, o ebola vai conseguir o feito de ser uma doença que não apenas afeta os humanos, mas também está adoecendo as próprias nações .


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