E que vença… o melhor?

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Em meio a um conflito armado de proporções alarmantes, eis que estamos diante de eleições presidenciais na Síria. Se a ideia de eleição remete aos preceitos de defesa da democracia, promoção dos direitos humanos e expectativa de mudanças, talvez o processo eleitoral hoje no país pudesse ter outro nome…

Considerada uma farsa pelos opositores do regime atual, bem como por boa parte da comunidade internacional, a eleição que se realizará amanhã na Síria começou, na verdade, na última quarta-feira nas Embaixadas sírias pelo mundo afora.

Pela primeira vez em décadas, há que se reconhecer, o pleito ao mais alto cargo político do país tem mais de um concorrente – porém de acordo com uma polêmica lei eleitoral que aceitou apenas três candidaturas de 24 levadas à Suprema Corte Constitucional. Os restritos critérios de “aptidão” dos candidatos levam apenas dois desconhecidos (Maher al Hajjar e Hasan Nuri) a competir com Bashar al-Assad na disputa presidencial, sob o mesmo discurso de combate ao terrorismo.

Com um saldo assustador estimado em 162.000 mortes, Assad – no poder há 14 anos, herdeiro de um cargo que seu próprio pai ocupou por mais de 30 – deve permanecer como líder do país por mais sete anos, em um processo que parece apenas artificialmente indicar a liberdade de um povo em lutar por mudanças políticas.

Na semana passada, as eleições nas Embaixadas da Síria pelo mundo indicaram importante participação popular, porém com indicativos preocupantes de manipulação, especialmente em meio aos refugiados nos países vizinhos. Nos Estados Unidos, na França e em uma série de outros países, as votações sequer foram permitidas.

Em Brasília, por sua vez, as eleições transcorreram em clima festivo (fotos), reunindo a comunidade síria local com o intuito do voto e da confraternização. Não se pode negar que o fato de que os sírios tenham a possibilidade de votar em três candidatos diferentes (e não apenas responder sim ou não em um plebiscito) por si só não deixa de ser importante.

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Contudo, inocência seria acreditar que os dois novos candidatos possuem iguais possibilidades de vencer uma disputa com aquele que estampa quadros e faixas, reprimindo as forças rebeldes (!), mas tornando cada dia mais complexa a evolução de uma crise regional que se alastra há três anos, ainda sem perspectiva de ser encerrada. Contradições que persistem em um país cujos anseios por paz e democracia contrastam com a dura realidade de uma guerra civil.

Nesta disputa síria, só nos resta esperar que, muito em breve, possamos nos referir a batalhas apenas eleitorais com um candidato vitorioso cuja missão venha a promover a paz e a reconciliação neste mandato que se iniciará.

[ATUALIZAÇÃO: E não houve surpresa na confirmação da vitória de Bashar al-Assad para seu terceiro mandato consecutivo, eleito com 88,7% dos votos (alcançados, não por acaso, apenas nas áreas sob controle do governo…). Sob a alegação de que as eleições foram ilegítimas, a oposição argumenta que a luta contra o regime deve continuar, em um cenário trágico de conflito, disputa política e convulsão social completa.]


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