E o prêmio vai para…

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…a União Europeia! Sim, o Prêmio Nobel da Paz edição 2012 foi concedido hoje para a União Europeia. A mesma União Europeia que tem aparecido quase que diariamente nas manchetes internacionais devido a grandes dificuldades internas, hoje figura de forma comemorativa nas mesmas manchetes, com grande repercussão no mundo inteiro.

Para justificar a escolha do vencedor, o comitê norueguês responsável pelo prêmio ressaltou a importância desse bloco regional para a consecução da paz no continente durante as últimas várias décadas pós-Segunda Grande Guerra.

Encarada como “incentivo à superação” por alguns ou “brincadeira de mau gosto” por outros, fato é que a escolha do bloco europeu pra esse prêmio tão renomado internacionalmente não poderia ter acontecido em momento mais delicado. 

Momento em que a União sofre grandes dificuldades de aceitação e legitimidade, em meio a uma crise econômica que chega a apresentar riscos à própria manutenção do euro, diante das incertezas por parte do mercado financeiro. Os cortes aos benefícios sociais e direitos trabalhistas tornam certas medidas impopulares, e são ainda notáveis as dificuldades entre os países-membros que, apesar de constituírem um mesmo bloco, sofrem de formas distintas as consequências da crise.

Reconhecer o papel histórico relevante da União Europeia nos últimos tempos é válido e reforça a importância dos blocos multilaterais para a construção do diálogo entre os Estados. Contudo, dedicar um Prêmio Nobel da Paz ao bloco em um momento de tantos questionamentos e dificuldades parece ser fruto de uma estratégia notadamente política.

Visto como uma surpresa pelos grandes líderes regionais, o fato de o prêmio ser, de certa forma, “oferecido” pela Noruega (país que recusou mais de uma vez a entrada no bloco), não deixa ainda de representar mais uma ironia a ser considerada.

Dado o alto valor em dinheiro que o prêmio concede aos escolhidos para a nomeação, Lech Walesa, ex-presidente da Polônia e Prêmio Nobel da Paz de 1983, ao concordar com a relevância da União para as transformações recentes europeias, reconhece, contudo, o custo financeiro existente para este fim. Bem diferente de muitos casos de ativismo pessoal pelo mundo… 


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