E o fantasma ressurge…

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Somália
E o fantasma da fome ressurge na Somália – o que não significa que ele tenha, de fato, desaparecido totalmente em algum momento, mas desde 2011 não se via tão assustador como agora…

Há exatos três anos, a crise no Chifre da África levou a uma situação catastrófica em que mais de 250 mil pessoas morreram – especialmente crianças menores de 5 anos, faixa etária mais vulnerável a esse tipo de situação. Calamidade pública que gerou (e sempre gera) comoção internacional momentânea, porém pouca mobilização para soluções duradouras.

Condições sociais e políticas desfavoráveis em um país de triste histórico contencioso se somam a condições climáticas de seca que tornam crônico o problema da fome na região. Hoje foi divulgado comunicado por parte de vinte Organizações Não-Governamentais (ONGs), dentre as quais Action Contre la Faim e World Vision, segundo o qual a Somália se encontra à beira de uma nova crise de proporções similares àquelas de 2011.

Segundo as ONGs em questão, hoje existem mais de 300 mil crianças subnutridas e 2,9 milhões de pessoas que necessitam de meios de subsistência na Somália. Dados estarrecedores se considerarmos a população total do país, que é de aproximadamente 10,5 milhões de somalis.

Ainda é triste perceber que aqueles especialmente vulneráveis não se refizeram completamente da crise de 2011, com grandes possibilidades de reincidir em uma situação crítica se o quadro não se alterar nos próximos meses.

Se concordamos que a ajuda internacional não pode se perpetuar nos países, é nítido que esta também não pode deixar de existir em casos extremos como solução paliativa que impulsione a criação dos meios locais de desenvolvimento futuro. É preciso que se evitem novos laços de dependência nos dias atuais, porém não se pode negar que apoiar a população somali no atual momento representa uma demanda humanitária urgente e justificada em prol de níveis mínimos de segurança alimentar e nutricional na vida de milhares de pessoas.

Para que esse “fantasma” de fato se torne lenda, é preciso, entretanto, muito mais: criar estruturas localmente sustentáveis e que promovam o desenvolvimento com bases sólidas, desvinculando a imagem de país eternamente dependente de ajuda humanitária para fortalecer capacidades produtivas locais e, por consequência, livrar o país de (recorrentes) catástrofes de tamanha proporção.


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