E no front econômico…

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O Brasil está em confronto com o mundo – ao menos, foi o que parecia em declarações meio quentes emitidas semana passada. E não estamos falando da briga de comadres do Governo com a FIFA por conta dos atrasos pra Copa (apesar de já haver gente dizendo que isso pode ser um sinal de tirarem o evento do Brasil, o que já seria uma tragédia em si pela dinheirama que já rolou nos investimentos).

Na vedade, a guerra de fato é a cambial. A presidente Dilma criticou abertamente o fato de o Brasil estar sendo prejudicado pela inundação de dólares na economia mundial. A ideia é que o Brasil perde competitividade não por fatores internos (como era de praxe), mas pela concorrência desleal de fora. Com isso, o Banco Central faz o que pode pra diminuir a entrada de moeda estangeira e até a Alemanha entra na parada pra tranquilizar o Brasil.

A palvra-chave pra entender esse problema é “importação”. Com muito dólar circulando, especialmente na Europa pra ajudar os países a sanar a crise, a tendência é que a moeda nacional perca valor, tornando seus produtos mais competitivos fora. O problema é que isso está acontecendo de um jeito insano pelo mundo e o Real acaba sobrevalorizado, causando problemas pro produtor brasileiro. Mas dá pra se perguntar até que ponto a culpa é dos “outros” – e quanto dano realmente causam ao Brasil.

Não é todo mundo que ganha com essa guerra. A Alemanha, por exemplo, só está se beneficiando da baixa do Euro por ser uma situação atípica na Europa: Euro em baixa torna as exportações alemãs para o mundo mais competitivas (mesmo que perdendo espaço na própria UE). A confiança é tanta que o país chega a pegar empréstimos com juros negativos! Ou seja, eles pegam uma quantidade emprestada e pagam menos na hora de devolver… Porém, enquanto isso, o resto da Europa naufraga com o Euro despencando.

E a questão do câmbio pode não afetar muito esse aspecto de competitividade. A China, por exemplo, está reduzindo suas metas de crescimento e tentando cada vez mais reduzir a particupação de dólar em seus ativos. A ideia é aumentar o consumo intermo – e isso significa deixar sua moeda menos desvalorizada. E talvez diminuir a diferença de renda num país socialista que tem índice de Gini maior que o dos EUA capitalista. Mas, nesse caso, valorizar sua moeda não significa uma desvantagem real com relação a competidores.

Enfim, temos que levar em conta que esse afluxo de dólares está ajudando a estabilizar a economia. Gera problemas para o Brasil, mas é a opção que sobra em vez de uma economia que favorece competitividade nacional mas totalmente instável como na época grave da crise. É o bom e velho caso de escolher o remédio menos amargo…


Categorias: Ásia e Oceania, Brasil, Economia, Europa, Política e Política Externa


2 comments
Álvaro Panazzolo Neto
Álvaro Panazzolo Neto

Ola Mario, obrigado pelo comentário. Então, essa é a questão - essa queda no crescimento (que não deixa de ser crescimento, afinal) tem tantos fatores que no fim das contas acaba-se escolhendo um bode expiatório mais conhecido do histórico de malabarismos econômicos do Brasil (e que é bem mais fácil de lidar na hora do "contra-ataque"...), que é a taxa de câmbio. A questão é saber se o setor produtivo brasuca consegue deixar de depender dessas muletas financeiras pra exportar e começar a desenvolver outras vantagens comparativas.

Mário Machado
Mário Machado

Tudo se liga a taxa de juros. A diferença leva a arbitragem e empurra as empresas brasileiras a se endividarem em dólar. Mas, há problemas graves de eficiência e de gana no empresariado brasileiro, como eu ouvi de um empresário indiano. Parece que competir é difícil pra quem ficou mal-acostumado com políticas cepalinas,