E lá vai o Evo…

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Evo
E não é apenas o Brasil se encontra em ano decisivo de escolha presidencial: também nossa vizinha Bolívia esteve hoje em dia de votações para presidente, senadores e deputados. Contudo, ao contrário das inesperadas reviravoltas em território brasileiro, o pleito boliviano se passou com certa tranquilidade – pesquisas indicam vitória de Evo Morales no primeiro turno.

Possivelmente com aproximados 60% dos votos, temos um Evo que vai garantindo um terceiro mandato, até 2020, à revelia do que antes se previa na própria Constituição do país. Com um perfil, no mínimo, polêmico, considerado “autoritarismo populista e pragmático” por alguns analistas, talvez estejamos visualizando a abertura de um precedente para sua continuidade no governo – aspecto que não representa, de fato, uma boa prática ao sistema político sul-americano, favorecendo a permanência no poder por tempo indeterminado.

Entretanto, com resultados claros na redução da pobreza extrema durante seu governo, aliado a um alto crescimento econômico (na expressiva faixa de 5%), Evo abre caminho para seguir na liderança da Bolívia demonstrando-se estável no poder e protagonista de medidas alinhadas com as necessidades sociais. Apesar de o caminho ser longo, não se pode subestimar o potencial de crescimento da Bolívia, cuja administração pública certamente merece crédito pelas medidas adotadas até o momento.

No que se refere ao Brasil, principal parceiro comercial da Bolívia, laços “de confiança”, apesar de “distantes”, dão o tom da relação durante o governo de Dilma, que não chegou a visitar seu homônimo boliviano, além de ter vivenciado a crise com a “fuga” do ex-senador e opositor ao governo de Evo Roger Pinto. A situação desencadeou a mudança do nome do chanceler brasileiro, porém o solicitante de refúgio no Brasil ainda é esperado em sua terra para julgamento pelo governo…

Se eleições normalmente nos remetem a momentos de inflexão e mudança, na Bolívia o clima é, todavia, de continuidade. Avaliação positiva em alguns aspectos, negativa em outros, somente o que se pode afirmar com segurança é que lá vai o Evo… até onde, será?


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