E de massacre em massacre…

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Ah, a Síria. Este importante país do Sudoeste Asiático com enorme riqueza histórica poderia ser lembrado por inúmeros elementos culturais ou curiosidades fascinantes (Damasco é uma das cidades mais antigas do mundo!). Contudo, há mais de um ano o caso sírio tem se tornado recorrente na mídia por conta das violentas ondas de conflitos e manifestações que se seguiram ao impulso por liberdade e mudanças políticas da Primavera Árabe. Quantas primaveras serão ainda necessárias para que o país encontre novamente o rumo da paz é uma questão em aberto. 

Apesar de ter sido tratado recentemente no blog (reveja o post aqui), o assunto volta inevitavelmente às grandes manchetes e merece atenção uma semana após o “Massacre de Houla” ou “Massacre de 25 de maio”. O trágico acontecimento em questão – orquestrado pelas forças pró-regime, apesar de terem sua autoria insistentemente negada pelo governo – representou mais uma cruel prova do gravíssimo custo de vida humano resultante da ineficiência generalizada em se conter os conflitos. (Leia aqui o triste relato de uma criança sobrevivente do massacre.) 

Com 108 mortes de civis registradas, dentre os quais 49 crianças e 34 mulheres, este massacre ocorrido na região de Houla (província de Homs) foi o tema da reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no dia de hoje. Este caso específico, que possivelmente será caracterizado internacionalmente como crime contra a humanidade, reflete o recrudescimento do conflito e demonstra os níveis devastadores das consequências civis em uma Síria carente de diálogo e conciliação. 

A reunião foi marcada por um Kofi Annan impaciente (e impotente!); um Embaixador sírio reticente (foto); e mais uma mostra de um Conselho de Segurança dividido em termos de propostas e interesses. O jogo de poder em questão é complexo (reveja aqui outro post recente no blog a este respeito) e qualquer resolução para o caso sírio parece demasiado lenta diante de tantas mortes que se acumulam a cada dia – a cifra de mais de 13 mil vítimas desde o início das confrontações impressiona. 

O bem-intencionado (apesar de frágil) plano de cessar-fogo de Annan parece ser o único eixo comum de diálogo entre todas as partes. E talvez o seja exatamente por não tocar nas questões políticas mais sensíveis, pautado em grandes linhas gerais onusianas – que podem dizer tudo e nada ao mesmo tempo. 

Segundo o Ministro Patriota, o “tempo diplomático” não se antecipa às situações de violência que levam à morte e ao sofrimento. De massacre em massacre, o caso da Síria evidencia, mais uma vez, as fraquezas de uma comunidade internacional confrontada com tal complexa realidade. Quando os ponteiros diplomáticos simplesmente não conseguem acompanhar o desenrolar acelerado de uma situação conflituosa como essa, resta-nos aguardar (com impaciência!) o momento em que um almejado sincronismo tenha lugar… 


Categorias: Conflitos, Organizações Internacionais, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa


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