E com que cara ficam?

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Hoje, todo mundo sabe que o pobre diabo na foto é um homem entubado de um vídeo de 2008. Mas na semana passada, por uma meia hora, o jornal mais conceituado da Espanha fez acreditar que essa fosse a figura do presidente venezuelano, Hugo Chávez, supostamente nas últimas. O jornal descobriu o erro e em minutos removeu do ar a página com a foto e recolheu os jornais impressos. Tarde demais pra conter a revolta na Venezuela e o constrangimento desse engano.

A grande questão aqui é a velocidade da notícia na atualidade. Blogs têm atualizações diárias (isso quando não são feitas de hora em hora). Jornais incentivam o envio de conteúdo dos leitores para cobrir notícias em tempo real (como podemos ver no exemplo triste dos diversos depoimentos sobre a tragédia ocorrida no RS). E a internet permite essa agilização do processo da notícia, mas ao mesmo tempo coloca em risco a qualidade da mesma. 

Um exemplo famoso disso foi quando o bin Laden morreu – poucas horas depois do vazamento da notícia (que nem estava confirmada) surgiu na internet uma suposta foto do defunto. Descobriu-se depois que era apenas uma edição feita por uns gaiatos na internet, mas que vazou e acabou parando em vários sites de notícias e agências respeitadas por vários dias. Até se descobrir a montagem grosseira, já era tarde. 

Manipulação de imagem não é coisa nova – pensem na história da foto dos soldados americanos erguendo a bandeira em Iwo Jima (que até virou filme) ou aquela famosa e premiada foto do menino sudanês  desmaiado com um abutre à espreita (que pode ter sido tirada de um ângulo que manipula a perspectiva da imagem). O problema aqui é a qualidade das fontes. Não deve ter havido má fé do El País, e sim de quem repassou o furo, que parece ser um jornalista italiano que já tem sua fama de falsário. Além do mais, por mais que algum veículo seja crítico de um regime, plantar notícias falsas desse tipo seria um suicídio na era da informação atual, em que essas falcatruas não duram muito. Se foi isso mesmo, o que vimos foi um serviço muito do malfeito.

Intencional ou não, o incidente diplomático que isso causou é suficiente pra servir de lição aos editoriais mundo afora, ainda pode render um processo contra o jornal espanhol, e até serviu de deixa para a Cristina K soltar o verbo contra o Clarín. 

A certeza é que esse mercado de boataria existe pela desinformação que é o caso do tratamento de Chavez, que é um mistério completo fora as desencontradas informações oficiais. Não se sabe de nada, e o tom da notícia varia se a fonte é de quem quer ver o comandante a sete palmos ou de quem quer vê-lo nos palanques por mais alguns anos. A julgar pelo histórico de longevos líderes esquerdistas, Chavez já deve estar num quarto de Havana e rindo de tudo isso.


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