E às vésperas do Dia do Trabalho…

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…a Espanha registra os maiores índices nacionais de desemprego dos últimos vinte anos! Mesmo que novidades sobre a crise europeia não sejam mais tão “novidades” assim, os números espanhóis são alarmantes e ilustram uma triste realidade sem perspectivas de mudanças nos próximos tempos. 

Hoje foi divulgado um índice de aproximadamente 25% de desemprego na Espanha: quase 6 milhões de pessoas em meio à população economicamente ativa estão em busca de trabalho (estimativa do primeiro trimestre de 2012), sendo que grande parte deste número é composta por mulheres e jovens. O gráfico abaixo, do Instituto Nacional de Estatísticas da Espanha, retrata uma situação bastante complicada no contexto espanhol, com um forte quadro recessivo. 

Outra má notícia nesta sexta para os espanhóis foi ainda o rebaixamento da nota da dívida do país pela Standard and Poors – um dos principais indicadores econômicos reconhecidos internacionalmente e que determinam o grau de confiança para os investimentos externos em um país. Como consequência de todo este contexto de instabilidade e desemprego, a nota foi rebaixada para BBB+. De fato, a economia do país não anda nada bem e medidas de austeridade são implementadas – para insatisfação ainda maior da população, que vê os setores de educação e saúde prejudicados. 

O feriado de 01 de maio deste ano certamente não representa para a Espanha um dia tranquilo ou a ser comemorado. Uma série generalizada de protestos está sendo programada para este dia pelos sindicatos e trabalhadores espanhóis. O objetivo: criticar as reformas que vêm sendo adotadas pelo governo e exigir uma solução negociada da crise. A União Europeia mostra sua força e, ao mesmo tempo, fraqueza como bloco, no sentido de que – mesmo com as atuais enormes desigualdades internas face à crise – a política fiscal não é adaptada e cada país deve encontrar seus próprios meios de cumprir com as responsabilidades assumidas. Força porque, mesmo em meio à crise, o bloco busca manter sua estabilidade internacional. Fraqueza porque, para alcançar este objetivo, frequentemente a população dos países afetados é que sofre diretamente com as medidas de austeridade adotadas. 

E, finalmente, a Espanha volta às próprias origens do Dia do Trabalho – historicamente criado em homenagem às conquistas dos trabalhadores por meio de manifestações nos Estados Unidos em 1886 e em várias partes do mundo nesta mesma época. Quase 130 anos depois, mudam os atores e o contexto, mas persiste a necessidade de reivindicações por melhores condições de vida. 


Categorias: Economia, Europa, Política e Política Externa


2 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Obrigada pelo comentário, Pedro Paulo! Apareça sempre pelo blog!

Pedro Paulo
Pedro Paulo

Bom constatar a sensibilidade de internacionalistas em relação à fenômenos concretos, singulares, que possuem correspondência a processos estruturais; ainda mais quando esses dizem respeito às condições de vida de maiorias populacionais (os pobres).