E a novela continua…

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[Após o post do Giovanni, talvez seja repetitivo tratar desse assunto novamente, mas a Coréia do Norte está dando o que falar…]

Era uma vez uma linda donzela, trancada a sete chaves no alto de uma torre e protegida por oito bravos dragões demoníacos que a queriam só para si. Não só guardavam a torre, mas utilizavam seus poderes e seus longos tentáculos para manipular todos os moradores do reino a sequer tentar tirar a donzela de lá.

Obrigavam os aldeões a se comprometer, sob pena capital, a não tentar resgatar a mocinha. Faziam pactos, alianças, criavam grandes corporações, enfim… Ninguém tinha acesso à beleza da donzela…

Até que um dia, dois bravos cavaleiros, um vindo do reino da Pérsia, outro do longínquo oriente desafiam o poder dos dragões. Quebram os pactos antes firmados, revoltam-se contra o poder demoníaco, revelam ao mundo a manipulação que estavam todos sofrendo. E eis que, num ato de coragem. bravura, ousadia e altruísmo, resgatam a donzela da torre e mostram a toda a humanidade sua beleza, e que todos vivemos em mundo livre, em que podemos fazer o que bem entendemos sem a conspiração dos oito dragões-demônios…

… Pra bom entendedor, um pingo é letra. Tem gente que tem o seguinte pensamento: “porque não deixar a Coréia do Norte e o Irã ter armas nucleares? Tudo não passa de uma conspiração dos EUA e das outras sete potências nucleares que não querem que os outros tenham acesso a essas armas etc, etc, etc”. Todos já ouvimos essa história em algum lugar…

A questão é muito mais complexa, no entanto. É simples entender porque o Irã ou a Coréia do Norte não podem ter acesso a armas nucleares: são regimes instáveis, movidos por ideologias muitas vezes racistas e questionáveis, localizados em regiões extremamente complexas do ponto de vista da segurança internacional, entre inúmeros outros fatores.

Imaginem deixar armas nucleares na mão de um cara que já disse uma vez que quer riscar um país do mapa? Ou então, ao alcance de um que está há 50 anos em guerra, mantém o 3° maior exército do mundo e se opõe a qualquer diálogo que leve à paz?

As armas nucleares existem nas mãos desses oito países ainda por resquícios da guerra-fria. E é óbvio que não querem se desfazer delas tampouco que outros as tenham. Mas quanto à Coréia do Norte ou ao Irã, o buraco é mais embaixo. O Irã, por exemplo, tem ligações claras com o grupo terrorista Hezbollah, inclusive financiando-o. E se uma bomba dessas chega a esse grupo?

E no caso da Coréia do Norte? Se eles resolvem lançar uma bomba no Japão ou na Coréia do Sul? Imaginem os impactos em uma região com quatro potências nucleares e repleta de bases militares de outros países?

Portanto, não adianta querer ver esses dois como heróis. Eles não o são. Aliás, estão longe de sê-lo. Ou um país pobre como a Coréia do Norte, que ainda assim gasta 40% do seu PIB com armas poderia ser bom pra alguém se não o é pro seu próprio povo?

Vejam o caso do Paquistão ou da Índia. Em guerra, instáveis. O Paquistão, aliás, está até perdendo seu território pra grupos terroristas. O fato de terem armas nucleares só coloca mais pólvora naquele barril. Isso é bom?

Não vamos endeusar as outras potências nucleares, mas se eu pudesse escolher, ficaria na frente do Obama, do Clinton ou até mesmo do Bush do que do Kim Jong Il ou Ahmadinejad com uma bomba na mão…


Categorias: Ásia e Oceania


1 comments
Giovanni Okado
Giovanni Okado

É, Alcir.Agora festa junina vira até conto de fadas... hehehe.Tenho minhas dúvidas qto ao que esses líderes maníacos podem fazer com armas nucleares, mas não acredito muito que o fato de eles as possuírem cause tanto estardalhaço - no que tange ao eventual uso delas - como tem se noticiado. Vamos ver qual vai ser o desfecho dessas coisas misteriosas que andam acontecendo.Abraços