Durban e o capitalismo verde

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Mais uma conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU) ocorreu nos últimos dias. E mais uma vez as medidas acordadas entre as partes alimentam muito mais esperança de lucros para grandes multinacionais que de avanços para a proteção do meio ambiente. Com o final da 17ª Conferência das Partes (COP 17) sobre Mudanças Climáticas ocorrida em Durban, África do Sul, a perspectiva de desenvolvimento acelerado de um “capitalismo verde” chama a atenção.

Com o lema “Working Together, Saving Tomorrow Today”, a COP 17 foi marcada por duas temáticas principais: o futuro do Protocolo de Kyoto e os novos mecanismos necessários para reduzir emissões de poluentes; e a discussão sobre o Fundo Verde para o Clima – fundo de apoio aos países menos desenvolvidos no que se refere à mitigação/adaptação às mudanças climáticas.

O fato é que novamente as disposições da Cúpula foram vagas (para não dizer débeis), sem o apoio destacado de grandes potências como os Estados Unidos. Os países participantes concordaram que devem negociar, até 2015, um novo acordo para vincular todos no controle das emissões. Moral da história: acordo para acordar futuramente um acordo! Sem qualquer compromisso mais concreto, elevar o ‘nível de ambição’ dos esforços até 2020 é o que consta entre as decisões finais de Durban…

Assim, vemos o fortalecimento de uma espécie de capitalismo verde (esse sim altamente sustentável!). Segundo o intelectual sul-africano Patrick Bond: “A tendência a mercantilizar a natureza se converteu em um ponto de vista filosófico dominante na governança mundial meio-ambiental”. E, apesar de ter sido considerado um avanço nas discussões da COP 17, o Fundo Verde para o Clima já está sendo visto pelas organizações sociais em geral como um fundo empresarial muito lucrativo.

Resta aguardar agora a Conferência Rio+20, que deve acontecer em junho de 2012 em terras fluminenses, marcando os 20 anos depois da (paradigmática) Rio-92, quando as noções de sustentabilidade e proteção ao meio ambiente entraram, definitivamente, para a agenda internacional. É improvável prever que em questão de seis meses os Estados estarão aptos a uma mudança drástica de comportamento (pelo menos não para o “lado bom”), mas o fato é que a necessidade de novos compromissos pós-Kyoto é urgente, com consequências para o mundo inteiro. Desacelerar o crescimento deste “capitalismo verde” talvez seja um bom começo para que se possa esperar alguma evolução futura nos acordos climáticos…


Categorias: Meio Ambiente, Organizações Internacionais


1 comments
Anonymous
Anonymous

TEXTO MUITO INTERESSANTE ,PARA UM TEMA BASTANTE COMPLEXO, POLEMICO E DE COMPROMISSO SEMPRE ADIADO. ESPEREMOS PELA REUNIÃO RIO-2012,...TEMA SEMPRE NO PRESENTE, MESMO 20 ANOS PASSADOS.