Drama árabe

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75 anos de diferença. O casamento (frustrado) de uma menina de 15 anos com um saudita de 90 anos mereceu a atenção da mídia essa semana, trazendo novamente à tona a injusta situação a que são submetidas mulheres/meninas no Oriente Médio em pleno século XXI.

O casamento infantil é uma prática relativamente comum no Oriente Médio, especialmente na Arábia Saudita, país que não estabelece idade mínima para as bodas (seguindo esta lógica, mesmo um bebê pode se casar!). O caso dessa semana reacende o debate sobre as “noivas meninas” nas redes sociais que têm se tornado cada vez mais comuns por lá, desafiando, por assim dizer, o tradicionalismo do país.

A menina de 15 anos em questão – “vendida” por sua família ao seu (idoso) marido pela bagatela de 17 mil dólares (!) – não soube lidar com a pressão e fugiu em sua noite de núpcias, retornando para a casa dos pais. O indignado marido exige agora a menina ou seu dinheiro de volta

De fato, esses casamentos forçados possuem frequentemente uma justificativa financeira, já que, na patriarcal sociedade saudita, as filhas são “propriedades” do pai, que tem o poder de decisão sobre seu casamento (o qual pode ser fonte de fortunas).

Essa tradição não é nova no país, nem tampouco a promessa do governo de adotar uma idade mínima para os casamentos – em resposta à pressão (?) internacional a este respeito. Contudo, em meio à própria monarquia saudita, o histórico de casamentos com jovens meninas é longo e parece estar longe de ser condenado.

Há tempos as práticas patriarcais sauditas parecem ultrapassar qualquer limite de respeito aos direitos humanos. Hoje, a diferença é que a facilidade de comunicação internacional por meio das redes sociais possibilita uma maior propagação da repugnância a estes casos condenáveis. Contudo, até onde vai o poder da mídia? Por mais que seu papel seja importante, frequentemente esta não se mostra capaz de promover mudanças práticas no plano político – especialmente porque as polêmicas ilustram manchetes por períodos muito curtos de tempo.

Em uma sociedade marcada pelo conservadorismo como no caso da Arábia Saudita, enquanto se aguarda o cumprimento de antigas promessas do governo, muitas “noivas meninas” continuam, infelizmente, a verem seu futuro determinado por casamentos forçados com homens que possuem quatro, cinco ou mesmo seis vezes sua própria idade…


Categorias: Assistência Humanitária, Direitos Humanos, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Polêmica


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