Dragão vermelho sob o velho mundo

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“Decidimos nos entregar com os pés e as mãos amarradas aos emergentes. Os europeus não podem discutir uma proteção contra os efeitos sociais e ambientais da globalização e pedir, ao mesmo tempo, a quem você vai negociar isso, para pagar a conta da sua crise financeira” –

Daniel Cohen-Bendit, deputado do partido verde europeu


A economia da Europa não anda bem. Essa frase resume o conteúdo de muitos dos acontecimentos noticiados durante esse ano. Enquanto esse tema ainda continuará a ser abordada por muito tempo, uma sombra paira sobre o velho mundo. É a do grande dragão vermelho que emerge sobre a Europa, de forma a também assustar muitos dos governantes, que já estão tensos demais com a questão da dívida pública e da quebradeira dos bancos.

O que significa que membros de diversos partidos europeus já têm demonstrado suas preocupações com ajuda econômica dos países emergentes para a crise. O temor de serem atados em uma espécie de “colonização às avessas” é algo já bem materializado no imaginário de governantes. Para a Europa, os Brics, com C bem maiúsculo, leia-se China, é o epicentro desse movimento. Até mesmo o Brasil já realizou grandes doações para o FMI e hoje já é 17º país que mais contribui.

Mas, o medo de chineses partiu da iniciativa do país de ampliar, ainda mais, sua ajuda ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. Como disse um deputado do partido verde europeu, “não se deve entregar de mãos e pés atados aos emergentes”. Nesse contexto, a pergunta que se segue é: a Europa está realmente em condições de escolher qual país se disporá a ajudar?

O governo grego já está em uma sinuca de bico. Enquanto o presidente Papandreou, sofre com os efeitos político-sociais dessa crise e convoca a população para um referendo sobre a manutenção do país na zona do Euro, o pacote de ajuda ao país não é liberado. O desespero é tanto que não se consegue elencar apoio político suficiente e esse referendo seria uma tentativa de legitimar seu esforço ou de ter aquela frase “foram vocês quem escolheram” na manga, caso algo dê errado.

A Itália já trilha o mesmo caminho e começou a realizar as medidas de cortes de gastos exigidas pela União Europeia. Até mesmo Obama já colocou a boca no trombone para falar que a situação é muito mais grave que se imagina e o bloco está sendo hesitoso demais. Bom, de fato, todos os países temem a violência com a qual os produtos chineses competem com os demais no mercado internacional ou depender demais de uma economia como a China. Por isso, repito a pergunta, será mesmo que a Europa está em condições de escolher os doadores para seu fundo de estabilidade ou mesmo diretamente para os países em que a crise é mais grave.

O mundo está mudando e a reflexão sobre o papel dos Brics e dos demais países emergentes é essencial. Talvez a máxima dos reis destronados, que nunca querem perder sua majestade, está se aplicando na Europa, agora sob a sombra do voraz dragão vermelho chinês. A reunião do G-20 dessa semana virá a definir melhor a posição europeia sobre ajuda dos emergentes, até mesmo a questão do referendo grego e da guerra cambial. Seja o que for decidido, parece que a resposta da pergunta desse post pende bastante para o não. Mas fica a provocação.

[Sobre o referendo na Grécia: 1, 2]


Categorias: Europa, Polêmica


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