Dor de cabeça de Carnaval

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O Carnaval, em alguns países, pode ser chamado também de Mardi Gras (do francês, algo como “terça-feira gorda”). Vê-se que existe uma relação entre a festa popular e o país europeu, mas essa época do ano tem sido pouco festiva para eles.

Para variar, o tema do momento, as revoltas árabes. A França, que sempre esteve muito envolvida na política do norte da África, mesmo após a descolonização, está intimamente envolvida com seus desdobramentos. E isso, via de regra, está trazendo dores de cabeça para a França, graças a suas relações no mínimo “amistosas” com ditadores da região. É o tipo de relação que falei em meu último post: um ditador pode ser tolerável desde que útil, e os interesses empresariais e militares dos franceses caíam como uma luva nos favores prestados à trupe de Kadafi e companhia. Isso já causou até uma baixa política na França, quando a ministra das Relações Exteriores se demitiu por ligações com o regime de Bem Ali, da Tunísia. E lembram do Rafale, o elefante branco voador que a França tenta vender a todo custo e que, ao que parece, nem o Brasil dá mais garantia de compra? Pois é, a Líbia já havia encomendado um lote em acordo de defesa bilionário, mas parece que nunca serão entregues. Ops. Com essas revoltas, por um lado, a França é obrigada a rever seus posicionamentos e por vezes ter sua imagem “arranhada”; por outro, perde influência com o surgimento de novos atores na região.

O maior culpado por essa crise política, segundo os franceses, é o próprio presidente Sarkozy. Considerado impulsivo e orgulhoso, coleciona problemas econômicos, equívocos em negociações e gafes diplomáticas, além de ter que lidar com a acidez da opinião pública. A decisão de deportar os ciganos, por exemplo, trouxe indignação internacional e críticas internas (até mesmo dos favoráveis à ideia). O país se recupera relativamente bem da crise econômica, mas persiste o drama da previdência e a inflação sobe a galope, puxando a da União Europeia junto. Por fim, há uma crise moral na política francesa – para se ter uma ideia, o caso mais alarmante é o julgamento do ex-presidente Chirac, acusado de corrupção na prefeitura de Paris (vejam que chique, funcionários fantasmas com sotaque francês!).

O governo é quem pagará o preço por tudo isso – e pesquisas já apontam um crescimento da extrema-direita (aquela que sempre ressurge das cinzas quando há crise e se precisa agarrar à solidez de instituições mais tradicionais). A filha de Jean-Marie Le Pen (lembram dele?) já poderia beliscar o primeiro turno nas eleições de 2012. Nada definitivo, claro, mas fica o alerta. Um desenvolvimento desses poderia ter suas implicações desde o processo de democratização norte-africano às políticas agrícolas europeias. É bom prestar atenção nessa França cheia de problemas…


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