Domingo de Clássico na política internacional!

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Este domingo vai ser de clássico. Nada de FLAFLU, GRENAL, enfim, embora tenhamos Corinthians e São Paulo… Neste caso, o clássico vai ser em termos de política internacional. Não será um jogo em si, mas dois ‘times’ vão decidir se o presidente Hugo Chávez deve ou não ter o direito de se reeleger por várias vezes.

Mais uma vez, deixo os comentários acerca do presidente Chávez e de seu governo para um outro momento. Desta vez vou tratar apenas do referendo que ocorrerá no domingo e algumas ‘curiosidades’. Assim, quem ainda não está por dentro do que vai acontecer terá um panorama.

Minha amiga Adriana Suzart, que pesquisa temas relacionas à Venezuela pode falar melhor sobre o projeto que Chávez chama de ‘socialismo do século XXI’ melhor do que eu. Mas, sem entrar em detalhes sobre o projeto em si, Chávez e seus correligionários afirmam que ele, e somente ele pode implantar o socialismo na Venezuela.

Não sei quanto ao socialismo em si, mas o ‘socialismo do século XXI’, somente Chávez mesmo poderá implantar. Isso porque ele conseguiu criar em torno de si uma imagem muito forte, sobretudo após a tentativa de golpe contra ele em 2002. Ele é forte lá, e disso ninguém duvida. Se ele cair, provavelmente veremos uma grande disputa pelo poder daquelas que sempre ocorrem quando um líder forte cai.

No entanto, assim como no referendo, a população está dividida. Como sempre às vésperas de decisões desse tipo, Chávez começou a anunciar que estão planejando golpes, que a polícia prendeu não sei quantos, enfim… E a população tem medo. De verdade, será que há mesmo voto secreto na Venezuela? Se o Chávez conseguiu até subordinar a justiça a ele, não conseguiria fraudar uma votação? Nem na Venezuela sabem responder isso, tanto que a polícia anunciou que vai prender quem comer (isso mesmo) comer as cédulas. Os eleitores faziam isso para evitar votar e se comprometer com qualquer um dos lados.

Contrariando o que eu disse acima, eu ainda suspeito que a vitória do não no referendo anterior que foi feito por Chávez PODE ter sido uma forma de combater as críticas de que a Venezuela não tem democracia. Os resultados podem ter sido alterados para ‘calar’ a comunidade internacional. Plena SUSPEITA minha, nem chega ao patamar de conspiração.

Eu descobri uma coisa que achei estranha. Eu achava que a propaganda chavista era mais indireta, como se a reeleição indefinida fosse algo mais discreto e a figura do presidente também. Mas não é isso que ocorre, eles colocam propagandas do tipo: Chávez nos ama e precisa continuar no poder, enfim. Isso pra mim foi uma surpresa, achava que eles usavam outras táticas.

Para o Brasil, sinceramente, neste momento, o melhor, na minha opinião, é que Chávez continue no poder. No momento de crise em que estamos, uma crise política que envolve ideologia, num país vizinho e importante como a Venezuela seria muito ruim. A Venezuela é um importante parceiro comercial do Brasil, nós temos superávits na balança comercial com eles. Agora, se eles entram em uma crise, isso faria falta para o Brasil, e muita.

E a Venezuela não está mil maravilhas. Há tempos as políticas de preço mínimo do governo tem gerado desabastecimento, sobretudo de carne e leite, básicos na alimentação. E agora, com o preço do petróleo caindo e caindo… A história da Venezuela é cheia de golpes de Estado e, em comum, está a dependência do petróleo e aceitação da população por governos em tempos de preços altos, quando os preços caem muito, normalmente vem um golpe. Talvez por isso Chávez queira fazer esse referendo logo…

Bom, vamos ver o que acontece até lá. Segunda teremos o resultado do clássico!

(Erlon, muito boa sua sugestão de adotarmos discussões de temas mais amplos da agenda internacional. Mas, por enquanto, dada a nossa intenção com este blog, faremos posts mais curtos, dando a nossa visão sobre questões mais simples, mas já estamos preparando algumas coisas mais amplas! Muito obrigado por aparecer aqui no blog!)


Categorias: Américas, Política e Política Externa


6 comments
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Alcir Candido
Alcir Candido

Bianca, muito obrigado pela visita! Apareça sempre!

Bianca
Bianca

Passando rapidamente só para parabenizá-lo pela idéia do blog e pelas postagens, Alcir ! Muito legal ! Sucesso !Quanto ao clássico de hoje, aguardemos o resultado do qual Chavéz só deveria se glorificar depois de oficialmente declarado. Nem sempre time que canta vitória antecipada vence o campeonato. Vejamos...

Erlon Faria Rachi
Erlon Faria Rachi

OI AlcirNão entrarei no mérito da escolha do povo venezuelano, desde que a eleição seja limpa, não há o que outros cidadãos do mundo possam opinar além de acatar o resultado.Gostaria de falar do "bolivarianismo" e dos conceitos de "socialismo" e "anti-imperialismo" que volta e meia vicejam aqui pela américa latina.A questão de fundo é sobre quem é o "dono" dos meios de produção. Nem sempre nacionalizar é a melhor forma de fazer com que o conjunto da sociedade seja beneficiada.Na maioria das vezes, "nacionalizar" uma empresa, significa simplesmente garantir seu controle a determinados grupos políticos que não respondem a ninguém e distribuem beneses como bem entendem.Não há transparência nas formações de preço, nos lucros auferidos, na forma de contratação de funcionários, não se busca maximizar o lucro geral, não se privilegia os fornecedores que possam ofertar os melhores preços, mas sim aqueles que têm as melhores conexões políticas... enfim, creio que as nacionalizações acabam tornando-se apenas um meio para que agentes econômicos (empresas) acabem sendo apropriados por grupos políticos. Eventualmente alguma migalha pinga na mesa do populacho, porém apenas como custo marginal para que se mantenha o controle sobre os meios produtivos... Aqui no Brasil, o sistema Telebrás, de triste memória, foi um exemplo de como um setor com tamanho potencial caiu na ineficiência do compadrio.Por isso desconfio de todas as variedades de "socialismo" seja de qual for o século.Bom, dirão os críticos, estes problemas apontados podem ser evitados se houver honestidade dos políticos, se só se indiquem técnicos competentes, que haja boa regulação, etc...Ora, se depende de boa regulação, regule-se com a propriedade privada e incentive-se ao máximo a transparência, a divulgação de margens de lucro, penas e multas pesadas para empresas que agem de forma contrária à competição e à busca do menor preço para os consumidores finais... e que a sociedade como um todo se beneficie através da não-sonegação e do valor de impostos justos e razoáveis.Sou muito mais favorável ao socialismo das bolsas de valores com ações pulverizadas, assembléias públicas, com todas as empresas seguindo as mesmas práticas daquelas que estão no índice de governança corporativa da BOVESPA.Mas isso tudo dá muito trabalho e causa menos burburinho do que bravatas de "socialismos". Por isso talvez é que temos nos preocupado tanto com a Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e Paraguai do que com o Chile, que tem obtido avanços institucionais e econômicos muito superiores à soma de todos os acima mencionados, apesar de ser um nanico econômico (o pais todo tem um PIB pouco menor que o do município de Sao Paulo).Este FLA-FLU Venezuelano mantém as excitada a nossa mentalidade de política estudantil dos anos 60, mas é só.

Alcir Candido
Alcir Candido

Muito bom, Adriana, como sempre ótimas ponderações!

Adriana
Adriana

Caríssimo Alcir,Você tem razão quando diz que será um clássico o que vai acontecer domingo na Venezuela. Será a eterna luta de uma elite petroleira, responsável pela "democracia" bitartidária implantada em 1958 e alijada do poder, contra um presidente ex-militar golpista, que pretende perpertuar-se no cargo por um dispositivo também "democrático", como as eleições indefinidas, legitimadas constitucionalmente. É realmente algo difícil de engolir... Ainda mais quando esse ex-militar golpista tem condições de fazer o preço do pétroleo, que é o motor do país, chegar a quase a U$ 200,00 como prometeu. Verdade que agora caiu, mas...quem faz uma vez, bem pode fazer de novo...Como se não bastasse, é um dos poucos governantes no cenário internacional que tem, pelo menos em discurso, coragem de afrontar a superpotência...verdade seja dita, que já nem é tão super assim...Obama que se vire.Com tantas proezas, não é de se admirar que este Sr. venha angariado seguidores. Seja por seu discurso antiimperialista, seja pela sua proposta de implantar um novo socialismo pautado por nacionalizações de empresas e por políticas assistencialistas, centralizando o poder nas mãos do Estado, para não dizer nas mãos do próprio presidente, Hugo Chávez tem ampliado sua base de apoio na região. Países como Bolívia, Nicaragua, Cuba e Dominica aceitaram engrossar as fileiras de sua Revolução Bolivariana, aderindo ao bloco regional chavista, a ALBA - O Equador foi admitido na condição de país observador.Se por um lado vemos emergir mais um polo de influência no sistema internacional, tornando-o mais democrático, como bem quer a proposta chavista de um mundo multipolar, por outro, sua liderança não contribui para a integração do subcontinente.Chávez, por suas atitudes e por sua personalidade, tem se mostrado um grande polarizador, seja na Venezuela, seja na região. Prever se os efeitos de sua permanência no poder será bom para os venezuelanos e para a região é uma tarefa difícil até mesmo para o mais experiente clarividente. Só podemos torcer e esperar que o povo venezuelano, tido como o mais consciente de seus direitos democráticos na região, exerça sua cidadania e realmente compareça às urnas e faça valer sua vontade neste domingo que com certeza promete grandes emoções!