Dito e feito

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Dizem que malandro é o cavalo marinho, que aprendeu a nadar pra não puxar carroça, mas nossos hermanos argentinos estão passando dos limites. Desde o ano passado com o estouro da crise financeira, já é de perder de vista a quantidade de medidas protecionistas que nos afetam diretamente. E mais impressionante ainda é a parcimônia do nosso governo. Esses dias anunciou que vai ajudar a fortalecer as reservas internacionais da Argentina com um mecanismo de troca de moedas (swap) entre 1 e 5 bilhões de dólares.

Pois é. E a indústria têxtil brasileira é a que mais tem sofrido com isso tudo. Nossa participação na pauta de importações de têxteis da Argentina caiu de 41,9% para 26,4%.

O mais engraçado é que o argumento dos argentinos é que eles precisam proteger a indústria nacional contra a brasileira que é mais competitiva.

Argumento legítimo. É natural que se faça isso e até aceitável em tempos de crise. A OMC mesmo até aceitou as medidas tomadas recentemente pelo Equador que sobretaxou a maior parte dos produtos que entram no país. Além disso, somos superavitários no comércio bilateral.

Só que quando se olha para o caso argentino, se vê que não é isso que ocorre. No mesmo período que nossa participação caiu no setor têxtil por lá, a China (aquela mesmo que faz produtos a preço de banana parecerem caros) aumentou de 15,8% para 31,9%.

E isto tem nome, colegas. Chama-se deslocamento de comércio. O que era pra ser uma medida pra proteger a indústria local, só fez com que houvesse uma troca de parceiro comercial. E vamos combinar, a China provoca muito mais danos em qualquer mercado que o Brasil…

E aí a malandragem vai continuando. Só não consigo entender o porque dessa revolta com o Brasil. Somos um dos principais parceiros comerciais da Argentina, temos acordos de cooperação em quase todas as áreas, inclusive um bloco que pretende ser de livre comércio e circulação de pessoas.

Mais uma vez o cavalo marinho está ameaçado no seu posto de malandro (O Lugo, o Morales e o Chávez já estavam ameaçando o bichinho). Mas a Argentina está abusando, e o Brasil insistindo no tal do risco moral…


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