Dito e Feito! A biribinha brasileira

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O assunto das possíveis retaliações brasileiras aos Estados Unidos por conta do contencioso do algodão voltaram essa semana aos noticiários.

O mais engraçado é que já vínhamos tratando do assunto aqui no blog desde o ano passado (veja aqui, aqui e aqui) e nossa posição foi sempre a mesma: dificilmente o Brasil vai sobretaxar os produtos americanos. Está usando a vitória na OMC para pressionar os Estados Unidos em busca de um acordo.

No último post sobre o assunto, retomamos essa visão. O Brasil havia anunciado a lista “final” com os itens que seriam taxados, mas a decisão só entraria em vigor 30 dias após a publicação.

O recado foi claro: não queremos publicar essa lista, vocês têm 30 dias para fecharmos um acordo.

Só que a medida entraria em vigor nesta quarta-feira e o nosso Brasil Varonil decidiu adiar a retaliação.

Mas, afinal, essa ‘arma’ em que se constituiu a decisão da OMC para um possível acordo com os Estados Unidos na área comercial é forte? É uma biribinha ou uma bomba nuclear?

Pessoalmente, acredito que não passe de uma biribinha muito mal usada.

Em primeiro lugar, porque ficou muito evidente, ainda mais agora que, após um bafafá enorme e até a publicação por parte do Estado de uma lista e a volta atrás, é muito mais do que evidente que o Brasil não tem interesse em usar o direito que tem.

Se eles sabem que não estamos dispostos a usar esse direito (possivelmente por conta do medo de retaliação cruzada e do peso dos EUA), porque iriam ter medo disso e fechar um acordo realmente bom para o Brasil?

O máximo que vai sair disso é algum protocolo de intenções.

Além disso, o lobby do setor agrícola americano é MUITO grande. Não se resolve isso em 30 dias e com uma listinha de um país atrasado de terceiro mundo (é assim que eles nos vêem).

Agora, qual nosso real problema? A ausência de um acordo comercial com os Estados Unidos. O Brasil não tem nenhum acordo com o país que simplesmente representa o maior mercado comprador do mundo. E não quer ter. E será muito difícil, mesmo que queira, por conta das restrições do MERCOSUL (O Brasil só pode, de acordo com as regras, ter acordos comerciais negociados pelo bloco).

Entrar a fundo nesse assunto fica pra outro post, mas tive a oportunidade de questionar um Ministro de Estado sobre isso, confiram a postagem aqui.

O fato é que o Brasil, mais uma vez, parece não saber mexer as peças do Xadrez da Política


Categorias: Brasil, Estados Unidos, Organizações Internacionais


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