Direitos de Quem?

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A morte do prisioneiro político dissidente, Orlando Zapata, em Cuba causou o maior bafafá pelo mundo. A União Européia diz que quer mais de direitos humanos em tratados comerciais, os Estados Unidos pressionam o governo cubano pelo acontecido e Lula se omite de falar do ocorrido durante seu encontro com Raúl Castro.


Não é muito difícil notar que o assunto é no mínimo polêmico. Até no campo acadêmico das Relações Internacionais questões que tangem a moralidade e valores já foram muito questionadas em um debate que envolveu questões como dicotomia da ação estatal por meio de uma moralidade internacional ou por meio de um realismo maior. Mas a existência de determinados valores que regem a política foi duvidada por alguns estudiosos da área. E o mesmo pode ser dito no referente aos direitos humanos.


Isso porque nem sempre a defesa da dignidade humana e dos direitos do homem, que é essencial para qualquer comunidade, é trazida à tona de forma igual. Em grande medida, o assunto direitos humanos pode ser usado como ferramenta política para desestabilizar alguns governos e reforçar o repúdio por algum líder, a exemplo de Cuba, do Irã ou mesmo da China.


É de suma importância que casos como o cubano estejam na mídia ou mesmo que sejam lamentados pela comunidade internacional. Mas os lamentos não são de igual dose quando se trata de um assassinato conjunto de inocentes no Afeganistão por tropas da Otan ou mesmo quando as tropas da ONU abusam de mulheres ou da população local durante uma missão de paz.


Às vezes cabe-nos perguntarmos de novo de quem são esses tais direitos humanos, para que lembremos o quão desigual é até a questão que trata da igualdade humana. Ô mundinho complicado que vivemos.


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