Diplomacia unificada?

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Eu só acredito…

VENDO!


É, agora dá pra acreditar! – União Européia prepara um serviço diplomático unificado

Ou seja, agora existirão “Embaixadas Européias”, representantes oficiais da UE em diferentes países além das representações individuais de cada país-membro. Mesmo meio a cortes de gasto em diversos serviços diplomáticos, a União Européia mostra a que veio e dá mais um passo a sua evolução como Bloco. Claro que com uma boa e velha inchada no orçamento, daquelas que nunca faltam em projetos governamentais!

Além do mais, a turma do protecionismo conseguirá grandes avanços diplomáticos com essa iniciativa, junto com outras temáticas que todos os países concordam. Isso se conseguir contornar suas próprias controvérsias intra-bloco. Afinal,

Suíça diz: energias limpas?

França: Veja bem, tem outros assuntos a discutir, como a Guerra do Iraque!

Reino Unido: ahn… e Cuba?

Espanha: Cuba é amiga! Como a Turquia!

Grécia: Turquia é amiga de quem?

E assim vai. Por mais que vejamos posições unificadas no comércio, dificilmente veremos em assuntos polêmicos como política ou do papel do Estado na Economia. São países e interesses demais em jogo até mesmo para suas decisões internas, para protestar e negociar fica ainda mais difícil!

Outro problema será o de representação desse bloco, já que com certeza os países menores ou menos vocais se sentirão menos representados e darão chilique uma hora ou outra. E com isso, as manchetes de sempre: “Clima de desunião marcam Cúpula da UE” ou outras semelhantes. CLARO, é igual reunião do clube dos 13, eles podem querer que o futebol cresca mas sempre com o time deles na frente!

A foto é antiga mas a amizade continua!

“O espírito de cooperação internacional está perdido!” – Errado. Ele nunca realmente existiu, o pessoal só tolera seus vizinhos porque isso é o melhor pra eles. E não tem churrasco de bairro que conserte essas relações.

Controvérsias e polêmicas de lado, devemos nos inspirar nesses esforços de cooperação e torcer que um dia isso seja possível nos outros continentes. E aí Lula, como andam os avanços da Unasul?


Categorias: Organizações Internacionais, Política e Política Externa


6 comments
Adriana Suzart
Adriana Suzart

Caro Ivan,O princípio básico da integração, em qualquer nível, é a coincidência de interesses. Claro que quanto mais interesses coincidentes mais forte será a integração. Além disso, só se adere a um projeto de integração se os benefícios de pertecer a ele são maiores do que não participar. Se a UE fosse um mal negócio, mesmo com todas as dificuldades e falhas que apresenta, não haveria países pleiteando sua entrada nela. E mais: em uma situação como essa deve haver consessões das partes, porque como diz o ditado: não se pode agradar a gregos e troianos ao mesmo tempo. Então é natural que em algum momento esse alinhamento será "forçado". Você tem razão quando diz que o bloco europeu ainda usa de meios arcaicos para interagir no Sistema Internacional. Isso se deve ao fato de ainda não se ter inventado um regime melhor do que Westfália. Mas, eu vejo na implantação do parlamento europeu, a tentativa de elaboração de uma constituição para o bloco, a busca por uma instituição de uma nacionalidade europeia e até mesmo a abertura de embaixadas em solo estrangeiro como formas alternativas e experimentais de se encontrar sim, um novo regime. Não é perfeito, não está pronto, mas é um começo. Muitos ajustes deverão ser feitos ainda para que se chegue à maturidade do regime que temos hoje. Mas tudo tem que começar de algum lugar.

Ivan
Ivan

Oi Adriana!"É importante lembrar ainda que os países integrantes da União Europeia, além de terem vivenciado duas guerras mundiais em seus territórios, em outros tempos, alimentaram rivalidades entre si. Implementar um orgão que represente os interesses de todos os integrantes do bloco no exterior é no mínimo um indicativo de ganho de confiança e, quem sabe o prenúncio de um novo regime para o atual sistema internacional que tem o Estado como principal ator e unidade básica."Mas será que essa representação unificada não servirá como um alinhamento e união forçada entre os países? Como se "agora que estamos nos comunicando como uma união de países, agora temos que realmente sê-lo!!"Sobre esse "novo regime", percebe-se que mesmo sendo algo inovador, a diplomacia em si é uma estrutura estatal. A UE ainda não encontrou maneiras de se renovar ou inovar sua representação como bloco, tendo que "recorrer" a maneiras tradicionais e anciâs de se relacionar com o internacional.Bom dia Guilherme!"Como conseguir realizar este projeto unificador e aumentar a integração econômica com líderes tão carismáticos em países com uma forte cultura de voto personalista? Ainda mais com um adicional de existirem presidentes como Chaves que sempre necessitam estar em "conflito" com algum "inimigo" de seu Estado."Não sei até que ponto o problema reside nesses líderes carismáticos ou se é mais para a falta de relações e pontos de convergência de interesse entre os países, além da gigantesca disparidade de poder que Brasil e Argentina acabam por incidir no bloco. E pelo menos no Brasil, pouquíssimas pessoas sabem da Unasul, dos possíveis benefícios dessa organização e o governo também parece não querer tocar muito no assunto. Mário, obrigado pelo comentário!A Comissão Européia já tem representações próprias mas serve mais para questões comerciais, parcerias de comex, etc. Agora algo político seria uma enorme mudança. E é curioso pois por mais que pareca uma evolução natural, só a UE consegue atingir esse estado, pondo em cheque se esse processo de blocos econômicos é realmente evolutivo em qualquer lugar ou se essa evolução não é dependente do habitat dessas espécies...

Mário Machado
Mário Machado

Dá pra perceber a instalação de Embaixadas (cabe ver se juridicamente este termo é apropriado) da UE é uma evolução natural, posto que a Comissão Européia já mantém representações, participei (e perdi..rs) de algumas concorrências na representação da Comissão Européia em bsb, quando residia na Capital.E os parabéns. Bom, também, os estendo a vocês manter um blog relevante atualizado com constância exige um bom grau de atenção.Abs,

Guilherme Martins
Guilherme Martins

Assim como a Adriana parabenizo vocês pela importante inciativa que tiveram ao criar o blog - e principalmente movimentá-lo!O que acontece no cenário internacional nas adjacências brasileiras é principalmente pautado na ausência de um líder reconhecido pelos demais países. Brasil, Argentina, Venezuela, exprimem o desejo de conduzir esta liderança, porém falta coesão. Exemplo disso é a criação da Unasul para cuidar de temas correspondentes à América do Sul, mesmo com o Mercosul necessitando de uma maior consolidação. Precisamos analisar e re-inventar à nossa moda os passos de sucesso dados pela UE (que também apresenta conflitos ideológicos entre as diversas nacionalidades ali representadas, mas unida para maior integração econômica).Como conseguir realizar este projeto unificador e aumentar a integração econômica com líderes tão carismáticos em países com uma forte cultura de voto personalista? Ainda mais com um adicional de existirem presidentes como Chaves que sempre necessitam estar em "conflito" com algum "inimigo" de seu Estado.

Alcir Candido
Alcir Candido

ADRIANA! Quanto tempo! É bom ver você por aqui de novo! Como sempre, com um bom comentário!VALEU!

Adriana Suzart
Adriana Suzart

Prezado Ivan e Caros Colegas Boa Noite!Em primeiro lugar gostaria de cumprimentá-los pelo sucesso do Blog e pela perseverança em levar um pouco mais de conhecimento aos leitores para que seja possível o desenvolvimento de uma visão crítica da realidade que vivemos. Parabéns!Quanto a iniciativa da União Europeia de abrir embaixadas pelo mundo, penso que seja um avanço a mais em seu processo de integração, apesar dos dissenso de seus participantes em assuntos, que a primeira vista, parecem ser essenciais.Explico minha posição: se levarmos em consideração que uma embaixada representa os interesses de um Estado soberano em território estrangeiro, ter uma embaixada de um bloco regional resultante do processo de integração mais bem sucedido até o momento aponta para uma nova modalidade de autoridade supranacional, na qual há, em alguma medida, cessão de soberania de seus representados.É importante lembrar ainda que os países integrantes da União Europeia, além de terem vivenciado duas guerras mundiais em seus territórios, em outros tempos, alimentaram rivalidades entre si. Implementar um orgão que represente os interesses de todos os integrantes do bloco no exterior é no mínimo um indicativo de ganho de confiaça e, quem sabe o prenúncio de um novo regime para o atual sistema internacional que tem o Estado como principal ator e unidade básica.Att,