Diamantes sangrentos

Por

No último dia 26 de junho, a Human Rights Watch liberou um relatório no qual denuncia as forças armadas do Zimbábue, controladas pelo partido político do presidente Robert Mugabe, pelo confisco violento de campos de diamantes do país no ano passado. À ocasião, usaram as rendas ilícitas para comprar a lealdade de soldados insubordinados e enriquecer líderes partidários.

Não podia ser pior. Hoje, o país passa por uma gravíssima crise econômica e alimentar. Desde 1990, a expectativa de vida para homens declinou de 60 para 37 anos. Mulheres vivem menos ainda – 34 anos, e 1.8 milhões de zimbabuanos estão contaminados com o vírus do HIV. Até meados de 2007, 3.4 milhões de cidadãos deixaram o país como refugiados – aproximadamente um quarto da população.

Desde 1998, a inflação no Zimbábue saltou de 32% a.a. para 231.000.000% a.a. em julho de 2008. Chegou a níveis maiores, sendo a segunda pior crise de hiperinflação da história, com preços dobrando a cada 1,3 dias, e o salário dos soldados (US$ 100) não valia mais nada. Foi então que o governo lançou a chamada “operação sem retorno”, uma iniciativa para restaurar a ordem em uma “corrida ilegal aos diamantes”. É nada menos que uma máquina de dinheiro para o Zimbábue. O governo depende da lealdade do exército para conservar-se no poder. As brigadas do exército se revezam de forma a manter o controle dos campos de diamantes, e relatos informam acerca da escravização das populações locais no trabalho de garimpo.

O Zimbábue vive uma situação calamitosa. Mugabe tem se mantido no poder há – pasmem – 29 anos (pelo visto nossos colegas latino-americanos tem muito o que aprender em matéria de segurar-se na cadeira), e seu opositor, que apanhou da polícia durante protestos em campanha eleitoral no ano de 2007, virou primeiro-ministro (isso é o que pode-se chamar de um governo com a oposição!).

A Federação Mundial de Bolsas de Diamantes demandou que seus países membros não comercializassem diamantes provenientes de Marange (Zimbábue). Sabe-se que Mugabe hostiliza nações ocidentais e às organizações não-governamentais internacionais. Controlando o único jornal diário do país (the Herald) e cometendo uma série de violações aos direitos humanos, o próximo passo do governo é incerto. Mais um episódio sangrento no continente africano.

Quer saber mais sobre isso? Clique aqui, aqui e aqui.


Categorias: África, Assistência Humanitária, Direitos Humanos


0 comments