Diálogo internacional

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Os últimos dois dias estão sendo marcados pela ASPA, a Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América do Sul e Países Árabes, que acontece no Peru em sua terceira edição. Com o (sempre válido) objetivo de aprofundar os laços políticos e econômicos entre os países-membros, o encontro está sendo pautado por discussões principalmente em relação aos temas de protecionismo econômico e da busca pela paz no conflito sírio.

Considerando que o tom é sempre cooperativo em eventos deste porte, a ASPA representa mais um grupo de discussões e concertação internacional. Idealizado pelo Brasil (!) em 2003, os promissores membros deste grupo reunidos representam hoje uma população de aproximados 750 milhões de habitantes e um PIB de US$ 5,4 trilhões.

Com a expectativa de assinarem a “Declaração de Lima” ao final dos debates, as críticas mais contundentes expressadas nos discursos dos presidentes presentes, especialmente da presidenta Dilma, são relativas ao “protecionismo disfarçado” dos países desenvolvidos no combate à crise. No contexto do bloco, o intercâmbio comercial entre as duas regiões (América do Sul e Países Árabes) foi ampliado em mais de 100% nos últimos cinco anos, o que demonstra um impulso à cooperação sul-sul.

No dia também em que um estudo prospectivo da Cepal (a Comissão Econômica para América Latina e Caribe das Nações Unidas) demonstra níveis de crescimento não tão animadores para o Brasil este ano, em relação aos demais vizinhos latinos, o tema parece ser de delicada importância.

Para além da esfera econômica, a Síria, é claro, está sendo o centro das atenções do encontro. Como intervir para conter a violência? Como alcançar o diálogo? Como criar as condições para a paz? Perguntas essenciais que permeiam todos os discursos políticos, sem que ainda seja visualizada qualquer solução prática. Sendo a primeira reunião do grupo após a “primavera árabe”, o tema é sensível a todos os seus membros, apresentando muito mais perguntas que respostas efetivas.

De encontro em encontro, de declaração em declaração, de decisão em decisão, as relações internacionais vão sendo construídas diariamente. Talvez seja difícil prever as consequências práticas de eventos diplomáticos como a ASPA, mas mais difícil ainda, com certeza, seria prezar pela cooperação internacional sem a existência de espaços assim. A ver quais serão os pontos reforçados na Declaração de Lima, mantendo-se a (sempre existente) expectativa de que as (boas) intenções no papel possam ser convertidas em decisões práticas em um futuro próximo. 


Categorias: Américas, Organizações Internacionais, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Política e Política Externa


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