Dia das Mães

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Nós, colaboradores da Página Internacional, não poderíamos deixar esta data escapar sem a devida atenção. Um ponto comum em nossas vidas é a distância diária que nos encontramos de nossas mães, seja por causa do trabalho, seja por causa dos estudos. Então, nada melhor do que dedicarmos este post de hoje para todas as mães e filhos que, mesmo distantes, estão sempre presentes, um no outro.

É difícil percorrer os caminhos da memória para selecionar, em nossa particular coleção de momentos, quais são aqueles inesquecíveis em companhia de nossas mães. Às vezes, nem lembramos ou nem atribuímos importância a eles. Não porque somos desleixados, mas porque a viagem que fazemos com a mente, nossas mães fazem com o coração. Sabem exatamente as datas, os detalhes, os segundos… Sabem porque são mães. Sentem na prole os encantos de ser mãe, vivem com os olhos a emoção que os filhos expressam com o corpo.

É por isso que tem valor aquela antiga mamadeira guardada, aquele babador rasgado e até aquele primeiro copo quebrado. O que à primeira vista parece ser arte ou algo trivial, para as mães, é a manifestação triunfal do espetáculo da vida que brotou em seu ser. Vida que é aquecida pelo calor dos anos até ser desaquecida pela frieza do tempo. Inevitavelmente, o destino obriga que mãe e filho sigam cursos separados.

Quem não se lembra de quando partiu de casa? Quem não se lembra da sua mãe com o coração apertado ao ter que deixá-lo ou deixá-la aos cuidados do mundo? Muitos choraram em silêncio, outros silenciaram o choro. Mas isso era só o começo. Pela janela de um ônibus, ou pelo vidro traseiro de um carro, sua mãe lhe viu inúmeras vezes partir, observando-o (a) atentamente até o instante em que seu rosto se apagasse aos seus olhos. E sua mãe sofreu com isso. Ficou com vontade de lhe buscar, de vencer a distância e o tempo, só para aprisioná-lo (a) novamente sob o seu cobertor de ternura e de conforto.

Muitas vezes, na calada da noite, sua mãe esperou uma ligação sua. Só para ouvir a sua voz e saber que você estava bem. Ainda que a conversa não se estendesse por minutos, tanto pela falta de assunto quanto pelas ocupações de ambos, poucos segundos eram mais do que suficientes para acalmar a sua mãe. E, por outro lado, eram mais do que suficiente para ela desejar que aquele telefone não fosse apenas a sua voz…

E você, meu amigo ou minha amiga, quantas vezes se deparou com o mar de solidão a sua volta e quis atravessá-lo só para alcançar a praia segura do amor materno? É aí que você resolveu ligar para a sua mãe, acometido (a) por aquele sopro de saudade que logo se converteria numa tempestade de ausencia. É aí que você pediu aquele conselho sobre como fazer isso ou aquilo, de qual decisão tomar sobre o futuro ou como cozinhar arroz. Pediu até dicas sobre os seus amores passageiros ou profundos. Contou sobre a última festa que foi e falou do porre que tomou.

Ela quis lhe repreender, você fingiu que ouviu. Assim como você fingiu que ouviu também tantas e tantas coisas que não lhe interessava, enquanto ela brincava de ser mãe e você brincava de ser filho. Um acha que o outro está errado, o outro, que o um. E, nessas distâncias secretas, ambos se percebem mais próximos, independente do erro ou do acerto. Um se preocupa com o outro, um não quer magoar o outro.

É claro que você já magoou a sua mãe; muitas vezes, sem querer, sem saber. É claro que a sua mãe lhe perdoou por isso. Ah, quantas e quantas vezes, você foi o vilão do único, verdadeiro e maior romance da sua vida! Na balança do amor materno, nunca haverá nenhuma atitude que você faça que não aumente a felicidade de sua mãe por vê-lo vivo, andando pelo mundo que ela lhe preparou e lhe entregou no momento em que você partiu de seu ventre. Você será para sempre o anjo que caiu do céu e que ela ensinou a voar. Sorte e pena que os limites desse mundo se ampliam conforme cresçam as suas asas, afinal, você tem que cumprir os desígnios da lei da natureza. Então, você se separa de sua mãe.

É doloroso, pois a vida passa cada vez mais a exigir que o filho tenha de se parir por si mesmo, na expressão de Márquez. A mãe fica a lhe esperar, sabendo que nada será como antes. Nós, filhos ou filhas, quase nem percebemos. Até olharmos vagarosamente quem somos. É quando vemos os traços de nossas mães em nós, mais presentes do que supomos: aquela costura na sua roupa, o arroz pronto em cima do fogão, a pessoa dos seus sonhos ao seu lado… Mãe é mãe, não é?

Deixamos aqui registrado a nossa homenagem a todas as mães, em especial, àquelas que não puderam abraçar os seus filhos neste dia de hoje. Muito obrigado por estarem sempre presentes em nós. Por serem as discretas guardiãs que fazem nossas vidas decolarem e nosso amor recíproco jamais fenecer. Sem esse amor, seríamos ainda um anjo sem asa e sem nada. Feliz Dia das Mães!


Categorias: Post Especial


2 comments
Jéssica
Jéssica

Nossa que mensagem linda!É tão triste quando vc se despede da sua mãe, daí vc entra em um carro ou em um ônibus e aquela imagem dela através do vidro vai ficando cada vez mais longe, cada vez menor...então parece que um filme vai rodando na mente, com todos aqueles momentos juntos e tbm com tudo o que ela fez para que nos tornássemos o que somos hoje ou o que almejamos ser.Abraços!

Raphael Lima
Raphael Lima

Nossa, Giovanni, que mensagem bonita! Muitas vezes realmente negligenciamos mensagens que elas nos passam ou as repreendemos por acharmos que sabemos mais sobre a vida do que elas, que com tanto carinho nos mostraram o mundo e com amor infinito fariam de tudo por nós.Que a mensagem de hoje seja aquela a ser lembrada por todos nossos dias e não somente aos domingos de Maio.Mais uma vez, um ótimo dia das Mães a todos!