Dez anos bastam

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“Dez anos bastam”: estes foram os dizeres de manifestantes que formaram uma cadeia humana em Washington essa semana para protestar contra a manutenção da prisão de Guantánamo, que existe há (quase exatos) dez anos na base naval dos Estados Unidos em Cuba (foto).

Instalada em meio ao fulgor da “guerra contra o terrorismo” após os atentados de 2001, a prisão é constantemente alvo de fortes críticas exatamente por desrespeitar Direitos Humanos básicos. Centenas de presos já passaram por Guantánamo e os quase duzentos que permanecem ainda hoje se enquadram entre os seguintes perfis principais: são acusados de crimes de guerra e aguardam julgamento; são considerados “perigosos” (pelo governo estadunidense), mas não podem ser acusados por falta de provas; ou, finalmente, não possuem nenhuma acusação (!), mas são impedidos de partir pela instabilidade de seus países.

Parece inacreditável conceber atualmente situações como tal, mas Guantánamo é um claro exemplo das contradições globais que ainda hoje frequentemente visualizamos. A busca pela igualdade é constante, mas o acesso aos recursos disponíveis é extremamente limitado. A ânsia por promover a “justiça” (?) é crescente, mas os meios utilizados para este fim são absolutamente criticáveis…

Constatar a ineficácia do presidente Obama em fechar Guantánamo (promessa cujo “prazo expirou” já há dois anos) significa constatar uma realidade na qual a teoria e prática permanecem em âmbitos muito distintos (e distantes!). A pressão tem sido feita por diversas entidades humanitárias e organismos governamentais, mas é ainda incerta a perspectiva para o real cumprimento desta nobre promessa.

Enquanto isso, mantém-se uma realidade perversa para os prisioneiros (em sua boa parte possíveis inocentes – veja post antigo no blog a esse respeito aqui) e para a comunidade internacional, que convive com um tácito sentimento de “impunidade” em relação às controversas políticas antiterroristas estadunidenses.

Em se tratando de Guantánamo, pode-se dizer que dez anos – efetivamente – bastam ou são até demais, não?


Categorias: Assistência Humanitária, Direitos Humanos, Estados Unidos


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