Desventuras em série

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A conhecida série de livros voltados para um público juvenil, Desventuras em Série, de Daniel Handler, narra a história de três irmãos órfãos e do grande número de eventos infortuitos que enfrentam em seu caminho. Hoje, já se pode sugerir que escrevam outra história semelhante, a da longa aventura dos países sul-americanos em busca de uma cooperação em questões como narcotráfico e de grupos guerrilheiros na região. Essa, talvez, renderia muito mais do que onze livros e um filme.

O enredo trataria dos rompimentos, desrompimentos e rerrompimentos de relações diplomáticas entre países sul-americanos. E para os papéis principais desse novo livro poderíamos escalar a Colômbia e a Venezuela, que ontem romperam novamente as relações diplomáticas. Esses países poderiam ser como os personagens do livro de Handler, órfãos, mas não paternos e maternos, de instituições regionais.

Depois de muitos anos em busca dessas instituições, os países encontrar-se-iam com a União dos Estados Sul-Americanos, também conhecida como Unasul.Mas como viveram muito tempo sem uma instituição desse tipo, não saberiam muito bem lidar com ela, o que faria com que a Colômbia insistisse em utilizar-se dos mecanismos distantes que há muito lhe abrigaram, como a Organização dos Estados Americanos. E assim, dependeriam de um primo que tem tentado aproximar-se deles, o Brasil, para lembrar-lhes que podem utilizar da Unasul.

A moral da história desse livro se aplicaria perfeitamente ao que atualmente ocorre na América do Sul, e mais especificamente entre Colômbia e Venezuela. A falta de entendimento do problema das FARC e do narcotráfico como transfronteiriço, que clama pela cooperação, leva os países a uma confusão e a rompimentos e desentendimentos.

Contudo, tais países exigem a cooperação apenas no sentido que lhes mais apetece, ou seja, à sua maneira. A Colômbia com vias no combate direto ao grupo armado e a Venezuela, com bases em uma união bolivariana que faria frente ao governo dos Estados Unidos. Nesse ponto que a questão se apresenta como muito delicada.

O maior percalço a cooperação nessa questão na América do Sul ainda é a forma como cada qual encara a questão do narcotráfrico e dos grupos guerrilheiros, que gera diferentes posicionamentos e assim inspira a tomada de medidas mais unilaterais. Para que possamos terminar de escrever nosso livro, precisamos ver se os homólogos de nossos personagens perceberão qual é a moral dessa história, para não repetir o que já vem sendo repetido ano a ano, e assim, acabar com essa série de desventuras.


Categorias: Américas


1 comments
Mário Machado
Mário Machado

Não há como fugir toda a blogosfera voltada para as relações internacionais está tratando disso, é um refresco ver que não estou sozinho na busca da análise serena desse episódio.Contudo, não posso deixar de notar como foi até certo ponto engraçada e iconica a presença de Maradona na figuração de Chávez.Abs,