Desculpas e incertezas

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 A OTAN apresenta suas desculpas pelo ataque aéreo no Afeganistão – mais especificamente em Logar – que causou 18 vítimas civis no início da semana. E aí? A cada novo incidente, novas desculpas. (Há menos de duas semanas ataque similar por parte da OTAN causou 8 vítimas inocentes também em Paktia.) 

Com um balanço que, segundo estimativas da ONU, contabiliza mais 3.000 civis mortos apenas em 2011, a Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (conhecida como ISAF, comandada pela OTAN desde 2003) tem seus dias contados, mas o número de vítimas (e de consequentes pedidos de desculpas) ainda é incerto.

Conforme definido na última Cúpula da OTAN (concomitante à reunião do G-8) no final de maio em Camp David (EUA), a saída da ISAF do Afeganistão deverá acontecer até o fim de 2014, com previsão de uma nova missão a partir de 2015 objetivando formar e assessorar as forças de segurança afegãs. Para cumprir promessa eleitoral, Hollande já anunciou a saída das tropas francesas antes do final deste ano. 

A “guerra ao terror”, conceito que há pouco mais de uma década passou a integrar constantemente as discussões no âmbito das relações internacionais, antes dotada de elevada “aprovação”, alcança hoje níveis de impopularidade crescentes em meio à opinião pública em geral, e especialmente estadunidense. [Reveja posts anteriores do blog a respeito do assunto aqui e aqui.] 

Esta guerra transnacional (conflito interno, mas com agentes externos), motivada após os atentados terroristas de 2001 contra os Talibãs e a Al-Qaeda vivencia atualmente momentos decisivos (?) de preparação para seu encerramento. A possibilidade, contudo, de serem estabelecidas condições de estabilidade duradoura no Afeganistão, e na região, é colocada em xeque diante das dificuldades constantes de diálogo entre as partes deste conflito. 

De um pedido de desculpa a outro por mortes de civis afegãos, e diante de números também consideráveis de mortes de integrantes da força internacional, as perspectivas para a almejada transição no Afeganistão ainda são incertas. Condições políticas nacionais também deverão determinar o tom das discussões políticas pelos próximos dois anos. [Interessante artigo a respeito, em inglês, aqui.] 

Resta-nos apenas aguardar – diante de desculpas, promessas e incertezas – para saber, finalmente, qual será o final desta longa e complexa trama afegã.


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