Desafio norte-coreano

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Após uma gafe diplomática (!) por parte da organização dos Jogos Olímpicos que chamou a atenção dos noticiários internacionais em relação à Coréia do Norte, este recluso país asiático volta às manchetes atuais não pelo emblemático tema dos testes nucleares, mas por estar sofrendo gravemente com desastres naturais. Tratam-se das piores cheias da história do país que desafiam ainda mais a resiliência da população norte-coreana, afetando diretamente milhares de cidadãos e agravando a crônica situação de escassez de alimentos.

O fato é que, após um forte período de secas, o país vem sofrendo com recentes inundações que já provocaram a morte de mais de 100 pessoas, deixando ainda dezenas de milhares desabrigadas. Os prejuízos em relação aos campos aráveis levam à possibilidade de mais uma crise alimentar (o que já aconteceu duas vezes durante a década de 90), nesse país no qual cerca de surpreendentes dois terços (!) da população passam fome, segundo relatórios recentes da ONU.

No poder como “líder supremo” desde o final do ano passado após a morte de seu pai, o jovem Kim Jong-un herdou uma responsabilidade política de seguir com o regime comunista neste que é considerado um dos países mais “fechados” do mundo atual. Oito meses depois daquele momento inicial de incertezas que permeou a sucessão (veja post publicado no blog aqui), o que se percebe é uma Coréia do Norte relativamente (ok, que se sublinhe o “relativamente”!) mais disposta ao diálogo multilateral.

Apesar de ainda preliminares e incertas, análises já demonstram as diferenças de abordagem existentes entre Jong-un e seu pai (leia mais aqui). Nesta semana, o pedido de apoio das Nações Unidas para o auxílio às vítimas das cheias no país revela uma abertura antes improvável em se tratando do regime norte-coreano. 

Contudo, a eterna polêmica nuclear (e várias outras polêmicas mais: veja exemplos aqui e aqui), a falta de investimentos em esforços de prevenção de catástrofes (ou amenização de suas consequências), a pobreza extrema e o descaso em relação a uma população que sofre com os malefícios de um regime fechado em pleno século XXI levam a uma relativização do otimismo no que se refere a esse posicionamento político.

Solicitar ajuda abertamente aos mecanismos multilaterais internacionais não deixa de já ser uma iniciativa válida, mas é claro que não basta para garantir efetivamente o bem-estar a longo prazo da população norte-coreana em geral… este desafio é muito mais amplo e complexo, com certeza.
 


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