Denúncia internacional

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Nos últimos dias, um juiz espanhol lançou uma discussão intrigante no cenário internacional envolvendo (diretamente) três países: Colômbia, Espanha e Venezuela. O diálogo político sobre o assunto se destacou entre José Luis Rodríguez Zapatero e Hugo Chávez, chefes de governo da Espanha e da Venezuela, respectivamente (fotos).

A denúncia do juiz da Audiência Nacional espanhola Eloy Velasco se refere a uma possível cooperação por parte da Venezuela com relação a uma aliança entre a ETA (Euzkadi Ta Azkatasuna, sigla traduzida como ‘Pátria basca e liberdade’) e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupos revolucionários da Espanha e da Colômbia. Este juiz processou integrantes dos dois grupos por terem selado uma aliança para realizar atentados na Espanha contra altos funcionários da Colômbia, como o próprio presidente Álvaro Uribe (segundo o juiz, os grupos teriam intensificado relações a partir de 2000, compartilhando planos e treinamentos sobre manuseio de explosivos). Neste intuito, haveria, pois, indícios de cooperação por parte da Venezuela no processo.

Após a denúncia, Zapatero, chefe de governo espanhol, exigiu informações sobre o assunto por parte de Chávez, gerando um clima de discussões durante a semana. O governo venezuelano, é claro, negou qualquer envolvimento do país nas questões expostas e, inclusive, argumentou que se trata de uma denúncia “orquestrada” entre o juiz espanhol e os EUA.

Hoje, ainda, Espanha e Venezuela reafirmaram – por meio de um comunicado conjunto – que possuem o desejo de aprofundar relações gerais, incluindo “a luta contra o terrorismo”, esclarecendo, em termos diplomáticos, a situação desconfortável que existiu nos últimos dias. Os fatos ainda estão sendo apurados e a denúncia devidamente compreendida, porém seu impacto é notável.

A abrangência das duas organizações – ETA e Farc – em termos políticos (e mesmo militares) é grande e suas características de atuação revolucionária certamente preocupam o mundo todo, ainda mais quando a possibilidade de envolvimento de Chavéz é cogitada, como no caso exposto. Sabe-se que alianças em Relações Internacionais constituem um aspecto chave para o sucesso das intenções políticas e sociais, sejam elas quais forem.

Como o fato se encontra no escopo de análise de Política Internacional, o posicionamento dos demais Estados das Relações Internacionais é esperado. Os EUA, apenas para ilustrar, chegaram a afirmar que as suspeitas levantadas pelo juiz espanhol “não surpreendem”, aproveitando a oportunidade para cobrar ações mais efetivas do governo da Venezuela contra a ameaçadora ação regional das Forças Colombianas…

Bom, nada como os mais variados acontecimentos em Relações Internacionais para que se ilustre a complexa rede de relações políticas, econômicas e sociais em que estamos envolvidos neste século, não é mesmo? Fica, então, a expectativa do desenrolar de fatos que pode advir da denúncia internacional suscitada pelo juiz espanhol.


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