Democratizando a política externa

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Quando falamos de democracia participativa, estamos lidando com um tema que envolve o próprio conceito de cidadania. A participação dos indivíduos na formulação e discussão de políticas públicas é de suma importância: politiza pela vivência, expõe os potenciais e limites da gestão, empodera o cidadão, faz a política mais próxima dos conflitos diários da população. As recentes manifestações que vivenciamos no país certamente demonstraram o potencial de uma sociedade civil que pode se mobilizar, mas que ainda deveria se interessar muito mais pelo processo (diário) de construção política, como fazem historicamente vários movimentos sociais.

E vale ressaltar que política externa é, exatamente, uma das vertentes de políticas públicas do país, mas que acaba sendo muito menos discutida no âmbito público nacional do que poderia ou deveria. Isto por um lado é reflexo do “lugar” que o agente principal das relações internacionais ocupa, ou seja, o governo federal, mas não exclui seu reconhecimento enquanto política pública ou a importância que tem na vida das pessoas. Aliás, a democratização da política externa é um assunto que envolve todos os cidadãos e o diálogo com a sociedade para a formulação de prioridades e a tomada de decisões neste âmbito internacional precisa ser aprofundado no Brasil envolvendo lideranças políticas, acadêmicas, dirigentes governamentais, representantes de organizações sociais e estudantes.

Entender como a política externa afeta o nosso cotidiano, bem como avaliar o papel do nosso país neste cenário global de profundas mudanças exige debate e reflexão. Visualizar, ainda, as novas responsabilidades brasileiras em fóruns e organizações multilaterais (OMC, FAO, OEA, BRICS, IBAS, G20, etc.) diante do que se entende por pilares de nossa política externa realça um momento que o Brasil talvez nunca tenha vivido de inserção internacional, marcado pela ampliação dos parceiros internacionais e a atenção às relações Sul-Sul.

Neste contexto, será realizada na próxima semana uma importante Conferência Nacional intitulada “2003-2013: Uma nova política externa”, em São Bernardo do Campo/SP. Com a participação de muitos policy-makers, acadêmicos, políticos e representantes da sociedade civil, o evento pretende trazer à tona a questão da democratização da política externa neste contexto de protagonismo internacional brasileiro.

Organizada pelo Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI), a Conferência é um importante passo para construir processos participativos relacionados com a política externa. As inscrições para o evento já se esgotaram, mas este será transmitido on-line, do dia 15 ao dia 18 de julho no site da conferência (link disponibilizado na barra lateral do blog). Convidamos todos e todas a acompanharem! A programação completa pode ser acessada aqui e espera-se que este assunto seja discutido não apenas pelos participantes durante os quatro dias de conferência, mas por todos os cidadãos em cada momento de construção política que vivenciamos. 

(Texto escrito com a colaboração de Aline Andrade Rocha.)


Categorias: Brasil, Política e Política Externa, Post Especial


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