Delenda est Tunisia

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Há algumas semanas, quando comentava sobre a agitação no norte da África, uma das conseqüências pouco comentadas e de grande impacto seria o fluxo de imigrantes fugindo do caos na região. Os mais preocupados com isso seriam a França e, principalmente, a Itália, que está logo ali, a alguns quilômetros do outro lado da fuzarca mediterrânea. Pois é, dito e feito: Berlusconi já está pedindo por meio de acordos, em alto e bom som, que a Tunísia tome medidas para impedir a chegada desenfreada de imigrantes ilegais à bota.

Muitos tunisianos já enfrentavam o perigo da travessia antes da revolução que derrubou o ditador Ben Ali para escapar das taxas galopantes de desemprego; com a crise que sucedeu a queda, aumentam as incertezas e o número de barcos atravessando ilegalmente o Mediterrâneo – assim como as mortes. E essa vai ser o padrão em muitas áreas adjacentes aos países da “primavera árabe”, destino de desempregados egípcios, refugiados líbios e tantos outros. As portas de entrada são muitas, de Gibraltar à Grécia. E cedo ou tarde vai deixar de ser um incômodo na Itália para ser um problema europeu por completo. Afinal, os problemas naquela região parecem não ter fim, com mortes no Iêmen, a crise líbia e a instabilidade no Egito e Tunísia. Alguns teóricos modernos colocam as migrações como um dos grandes desafios da segurança internacional do século XX, especialmente na Europa, e parece que esse vai ser um teste decisivo para o Velho Mundo.

Por fim, não deixa de ser irônico notar que na Tunísia se encontrava antigamente a cidade de Cartago, alvo da cobiça e invasões romanas na antiguidade, e que hoje ocorre o inverso, de lá partindo os atuais “invasores” do território italiano…


Categorias: África, Assistência Humanitária, Conflitos, Direitos Humanos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


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