Déjà Vu

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O famoso geopolítico inglês, Halford J. Mackinder foi um dos primeiros a entender o mundo como uma totalidade. E para o autor esse conjunto tinha um núcelo. E esse cerne era chamado de Heartland, “o coração do mundo”. Assim, aquele que compreendesse e dominasse essa região teria maiores capacidades geoestratégicas sobre os demais países.


Por uma grande coincidência (ou grande capacidade de previsão), o tal do Heartland é a Eurásia, onde se localiza uma das regiões de maiores conflitos e de maior instabilidade no mundo atual: o Oriente Médio. Desde o fim da Guerra Fria, a região já foi palco de três guerras, e de diversos conflitos e desentendimentos entre países limítrofes; como o entre Israel e Palestina em voga há mais de 40 anos.


O que pode-se observar na região do Oriente Médio é uma instabilidade constante, resultado de Estados com baixa coesão, integração e capacidade de permear sua sociedade, como o Afeganistão e o Iraque, nos quais é alta a sensação de insegurança; o medo também é recorrente ferramenta de limitação das liberdades democráticas, seja pelo próprio Estado seja por grupos dissidentes.


Assim, a idéia de Mackinder assombra a região e pode trazer algum sentido a esses ares de repetições que sopram quando analisamos os eventos que lá ocorrem. A mais recente dessas sensações de déjà vu surge quando observamos o que tem ocorrido durante as eleições parlamentares no Iraque. Muitas semelhanças existem entre o atual pleito iraquiano e o último pleito afegão.


Atentados, protestos e terror. Tudo para evitar que parte da população manifeste seus desejos já que o voto lá é facultativo. No Afeganistão a grande oposição provinha do Talibã. No Iraque provêm tanto da Al Qaeda quanto de grupos xiitas, que desejam mais uma vez ter um governo xiita (já que desde a invasão dos EUA o país se encontra sob poder de sunitas).


Em mais um Estado da região, enquanto grupos opostos brincam de buscar o poder, quem mais sofre com o processo é a população. É difícil garantir que o Oriente Médio seja o tal do Heartland, mas uma coisa é certa, os ares de repetição sopram mais forte do que nunca na região. Só esperamos que essa eleição não acabe com resultados fraudulentos como uma aí que vimos há um tempinho.


Categorias: Ásia e Oceania, Oriente Médio e Mundo Islâmico


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