Decepção? Ou não?

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Mais uma vez ele aqui no blog. Já foi até santo por aqui. E olha que tem gente que acha que ele faz milagre mesmo, como nessa camisinha acima…

E embora o clima pro Obama esteja bom no mundo todo, essa semana veio a primeira decepção pra muita gente. Ele não vai pra Conferência da ONU sobre o racismo.

Bom, em primeiro lugar, racismo não é só preconceito contra negros. É bem mais amplo, envolve todas as raças e, desde as discussões da última conferência desse tipo em 2001, também religião. E este é o problema.

Infelizmente, como bem apontou o Ivan em seu último post, a ONU está meio esquecida. E está assim por uma razão simples: não serve pra muita coisa, está desacreditada pelas nações que se uniram pra formá-la. Tornou-se um palanque de discursos vazios, busca por definições para questões polêmicas, enfim. Por um lado dá voz à países que não a tem, por outro, acaba servindo para fazer propaganda para regimes questionáveis, como o Irã.

Junte-se a isso o fato de que, na diplomacia, há uma busca excessiva por se definir tudo. Uma verdadeira paranóia para se entender as entrelinhas de acordos, enfim. Os países tem de tomar cuidado com aquilo que ‘falam’ ou se comprometem. Agora imaginem o que vira o enorme palco que é a ONU com essa obsessão pela resolução perfeita.

Os EUA, Israel, Canadá, Holanda, Austrália e Itália abandoram os trabalhos na conferência sobre o racismo por isso. Acabou virando um ringue em que se debatem o ‘ocidente’ contra o ‘oriente’. O Ahmadinejad, que vai abrir a conferência, quer que se discuta a questão do sionismo, além de propagar sua visão anti-semita do mundo, ele mesmo que já disse que Israel devia ser varrido do mapa. A notícia que colocamos coloca outras polêmicas.

Enfim, a conferência perdeu sua razão de ser. Poderia ser um fórum pra se discutir políticas, ações, financiamentos a projetos, ou qualquer coisa séria que pudesse diminuir o racismo no mundo. Mas regimes declaradamente racistas preferem dar outro tom à reunião.

E assim, é óbvio que o Obama não ia se queimar por lá, servir de Judas em sábado de aleluia. É claro que a questão de ele ser negro ia ser apontada e usada por muitos países.

Também é claro que os EUA não são santos nem nada, lembrem-se do racismo contra latinos, imigrantes mexicanos, enfim. Mas neste caso (da conferência) eles têm suas razões.

Além disso, o novo presidente NUNCA utilizou sua cor de pele pra conseguir nada. Conseguiu se eleger sem tocar nessa ferida do racismo contra negros nos EUA. É claro que ele não iria pra essa conferência também por isso: ia ser cobrado por ser negro, ia ser questionado por isso, enfim…

E é aí que a nossa ONU vai perdendo cada vez mais sua credibilidade e ficando cada vez mais esquecida. Afinal, quando uma coisa não faz mais diferença a gente esquece mesmo.


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