Debates calorosos

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Esta parece ser uma semana um tanto quanto atípica para se comentar aqui no blog. Soa um tanto quanto paradoxal, porque vivenciamos dias agitados, mas alguns resultados já são esperados antes de entrarem nas mesas de negociação. Digo isto, pois três destes “debates calorosos” já passaram alguma vez nas análises da Página Internacional, mas nunca é demais retomá-los. Assim, vamos aos casos: a briga presidencial nos Estados Unidos, a negociação entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e os nove vetos de Dilma no Código Florestal. 

Na última segunda-feira, o programa “Complicações”, vinculado ao UNIVESP TV, publicou em seu canal do Youtube uma entrevista com o Professor Tullo Vigevani, no qual ele trata sobre a política externa norte-americana e a sucessão do cargo presidencial. Logo no começo do vídeo, Tullo afirma que os EUA têm uma linha a seguir em sua política de Estado, sendo que não há muitas mudanças nas trocas de governo. Lembrando que, por política de Estado temos um pensamento mais a longo prazo e estrutural e, por política de governo, uma perspectiva mais a curto prazo e conjuntural. Ou seja, Obama e Romney ficam se atacando, fala-se de crise econômica doméstica, falta de posicionamento nos conflitos internacionais, mas no final tudo parece refletir na mesma coisa: um discurso muito ideal e uma prática extremamente realista dos governantes. 

Pois bem, mudando de foco, começam hoje no hotel Hurdalsjoen (foto) em Oslo, na Noruega, as rodadas de negociação entre o governo colombiano e as FARC. Já é um tema batido, entretanto é importante reiterar que o grupo revolucionário atua no país há mais de cinquenta anos opondo-se ao poder central e controlando carteis de drogas. Sentar-se à mesa, conversar (ou discutir e gritar) já é um recomeço evidente por se tratar de duas posições contrárias. Algo me diz que isso vai demorar um bom tempo, afinal, se perdura por mais de meio século, vão precisar de muita diplomacia para por fim ao conflito.

E, por fim, aqui Brasil a Dilma apresentou nove vetos ao Código Florestal publicados, hoje, no Diário Oficial. Isso não é minha área e não entendo muito destas questões, só que, desde o começo, esse código estava sendo tratado como uma piada. Com toda certeza, daqui pra frente a opinião do congresso vai ficar ainda mais dividida. Ao olhar dos ambientalistas, o código é marca indelével de retrocesso ambiental e clientelismo político. Já ao olhar dos tomadores de decisão, nada de muito diferente. Afinal, para eles, a opinião pública não vale muita coisa. Similarmente ao apontado quando falei dos presidenciáveis norte-americanos, aqui o discurso é “legal” e a prática real no sentido mais pejorativo do termo.


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