De onde vem o perigo?

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A fofoca da vez no noticiário internacional é a venda de submarinos nucleares da Alemanha para Israel. O que está rendendo não é a venda em si, parte de um projeto de cooperação bilateral antigo, mas sim o fato de que os submarinos estariam equipados com um sistema de lançamento de mísseis balísticos. E caso Israel possua armas nucleares (sabe como é…aliás, o acordo dá a entender que a Alemanha já reconhece o programa nuclear de Israel desde os anos 70), poderiam ser equipados e lançados quase que imediatamente. Sombrio, não? 

O submarino é uma das armas mais aterrorizantes que um país pode possuir. Mesmo que não possua armas nucleares, é uma arma com potencial ofensivo muito acentuado. Já se foi o tempo em que aviões Catalina podiam despejar cargas de profundidade e afundar submarinos na superfície – um nuclear pode ficar literalmente meses embaixo d’água. Mas, pra dizer a verdade, a maioria deles não tem ogivas nucleares – são na maioria submarinos “caçadores”, feitos pra ir atrás justamente dos que têm mísseis. 

Uma arma defensiva então? Esse é o argumento da marinha brasileira, por exemplo, quando fala da compra dos submarinos nucleares franceses e da construção do nosso próprio: a ideia é defender o pré-sal e a costa brasileira (já não era sem tempo, aliás, sendo o Brasil um dos países com maior faixa litorânea do mundo). E acredito que a intenção é essa mesmo, mas digam isso pro resto dos países sul-americanos, que vão ter um vizinho com porta-aviões e um monte de submarinos nucleares podendo xeretar suas águas sem ser importunados. Amigos, amigos, submarinos à parte. 

É aí que mora o problema quando pensamos no caso de Israel. O caos recente do Oriente Médio pressiona demais Israel, como já estamos cansados de dizer por aqui no blog, e uma ação armada contra o Irã está cogitada faz tempo. A primeira coisa que a criança faz quando ganha um brinquedo novo é usar até enjoar. Eles têm armas nucleares, agora vão ter o vetor mais eficiente pra elas, e não é uma questão de “se”, mas de quando, eles vão começar o jogo de dissuasão contra o Irã. Claro que, por outro lado, a estratégia de Israel foi a de sempre esconder e negar a posse dessas armas, então seria um contra-senso fazer isso agora… Ou seria essa a oportunidade que esperavam? 

E o que os vizinhos vão pensar disso? Quando falamos de percepção de ameaças, aquela região é o lugar do mundo em que ninguém confia genuinamente em ninguém. Aliás, e o Irã? Uma das razões que alegam pra querer desenvolver um programa nuclear é o fato de Israel ter o seu próprio. Com esse tipo de arma, qual o reflexo nas negociações com Teerã? Boa coisa não vai sair disso. 

A ironia de tudo é que o tal do acordo com a Alemanha previa a instalação de uma usina de tratamento de água (paga pelos alemães…) e a redução dos assentamentos em Gaza, o que seria um passo incrível para resolver a questão com os palestinos, mas nenhuma coisa ocorreu. E pra completar o resumo da ópera, a Alemanha está vendendo o mesmo tipo de submarino pro Paquistão. Que tem armas nucleares. E não reconhece Israel.


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