De novo, Putin?

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Nas últimas eleições presidenciais russas, ocorridas agora no começo de março, Vladimir Putin conseguiu se eleger pela terceira vez e novamente ocupará o cargo mais alto da república. Seu primeiro mandato começou em 2000, foi reeleito e ficou na mesma função até 2008. Talvez fosse hora de parar, mas ele não saiu da cena política e, até o presente momento, figurou como primeiro-ministro.

Muitos pronunciaram que, na verdade, tal situação não proporcionaria uma mudança de governo no país, uma vez que Dmitri Medvedev, amigo partidário de Putin, seguiria as mesmas diretrizes propostas por este. Com a manutenção do mesmo panorama, Putin completará, em 2012, doze anos de vida pública na Rússia, sempre variando nos dois maiores cargos políticos e provocando a ira da oposição. A situação ficou tão crítica que o segundo colocado nas últimas eleições, o comunista Ziuganov, disse que o pleito não foi honesto e o Estado russo foi uma “máquina […] criminosa e corrupta”

Disseram que houve o chamado “voto carrossel”, no qual as pessoas escolhem o candidato quantas vezes quiserem, mudando apenas o lugar de votação. Lá as eleições não são informatizadas, não existe uma veracidade de informações e não há como saber, realmente, se tudo foi feito de maneira democrática e totalmente justa. E o que eu digo por “maneira democrática”? Atualmente, fala-se, e muito, sobre democracia. É governo democrático pra cá, falta de democratização pra lá e por aí vai. 

Na Rússia faltou participação efetiva da população, já que o voto não é obrigatório, a igualdade de voto não foi estabelecida, não houve entendimento esclarecido do eleitorado e faltou um programa de planejamento estatal. Enfim, eleições livres, justas e frequentes são condições básicas para o que chamamos de moderna democracia representativa, na qual a população escolhe os candidatos que ocuparão os postos políticos. É óbvio que isso é considerado um ideal para vários analistas e pesquisadores, seria extremamente benéfico ter igualdade de votos em qualquer situação, mas me parece que o mínimo necessário para isso não foi alcançado pelos russos. 

O fato é que a Rússia carrega o fardo do seu passado. Com o fim da União Soviética, reestruturou-se a política do país e o vasto território acabou por dificultar a presença do Estado nas mais diversas cidades. Sem o controle local, diminui-se a eficiência governamental e tudo isso culmina nas malfadadas eleições presidenciais. Interessante observar que a própria oposição aparece com roupas vermelhas e os velhos martelo e foice, símbolos do comunismo. Este discurso está ultrapassado e deve ser mudado, mas o que também deve ser colocada em prática é a alternância de poder. Independentemente do partido e da posição ideológica, os russos carecem desta prática há um bom tempo.


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